EFELisboa

"Não há mercado mais importante para Portugal que o espanhol", afirmou esta terça-feira o primeiro-ministro português, António Costa, durante um encontro com empresários em Lisboa, no qual definiu como "estratégica" a cooperação transfronteiriça, às vésperas da cimeira bilateral do próximo dia 21.

Costa incidiu no impulso das relações comerciais entre ambos países: "Hoje somos o quarto maior cliente de Espanha, acima do Reino Unido", disse, com uma troca comercial que supera os 42.000 milhões de euros.

"Portugal e a Espanha têm tudo a ganhar se são parceiros cada vez mais estreitos", ressaltou o primeiro-ministro, na reunião organizada pela Câmara de Comércio Luso-Espanhola (CCILE).

"Nem Portugal ameaça Espanha, nem Espanha ameaça Portugal. Somos parceiros na União Europeia, aliados e bons amigos. Isto significa que temos que recuperar o que foi um abandono de séculos", acrescentou.

Neste marco, ressaltou também a importância de unir esforços para transformar as regiões transfronteiriça, um dos temas prioritários da cimeira bilateral convocada para o dia 21 na cidade espanhola de Valladolid, onde Costa se vai reunir com o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez.

Um tema "estratégico", apontou o também dirigente socialista, que requer de "uma cooperação absolutamente decisiva".

"As regiões fronteiriças de ambos países não são as que atraem mais investimento, nem as mais povoadas. São as mais pobres e abandonadas. Temos que mudar a percepção do nosso próprio território", sustentou.

"Quando nos referimos a estas regiões de fronteira como de interior só o fazemos porque durante séculos estivemos virados sobretudo para o Atlântico, e nas nossas costas havia simplesmente uma fronteira que era essencial para assegurar a independência nacional", lembrou.

O que ocorreu na área transfronteiriça de Portugal e a Espanha, é diferente ao que ocorre no conjunto da União Europeia.

"No resto da Europa, as regiões transfronteiriças tendem a ser mais ricas. Após séculos a dar as costas, as regiões transfronteiriças ibéricas são das mais pobres e abandonadas", lamentou.

Mas, "é absurdo", ressaltou, "continuar a olhar para o nosso território como se fôssemos um pequeno mercado de dez milhões, e não compreendendo que, definitivamente, somos parte integrante de um mercado de 60 milhões de habitantes no conjunto da Península Ibérica".

As relações bilaterais construídas durante os últimos 40 entre "duas democracias que são parceiras no marco da União Europeia e aliadas no marco da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte)" devem aprofundar-se na próxima década com um esforço para reforçar a conexão territorial e a competitividade.

Um esforço "que passa por dar uma prioridade absoluta à cooperação transfronteiriça unindo e aproveitando todo o espaço que devemos aproveitar e que nos tem que aproximar cada vez mais", segundo o primeiro-ministro português.

No encontro participou também a embaixadora espanhola em Lisboa, Marta Betanzos, que agradeceu a Costa "umas palavras que expressam um enorme afeto" por Espanha.

A cimeira de Valladolid será a primeira conjunta entre António Costa e Pedro Sánchez, ambos socialistas.