EFELisboa

Com jogo ofensivo e organização tática, o Braga está imerso esta época no assalto aos grandes em Portugal com uma filosofia de "jogo a jogo" com a qual não se põe limites e que o levou até ao segundo lugar do campeonato.

"Ir jogo a jogo, pôs os nossos limites à prova e não nos pôr uma meta para ser o melhor possível". É assim que o treinador do clube nortenho, o português Carlos Carvalhal, define à EFE a filosofia da equipa, que não lhes está a correr nada mal.

Numa Liga habitualmente apenas disputada por Benfica e Porto, o destaque deste ano é o Sporting, na liderança e com o título cada vez mais próximo, mas a surpresa para os "grandes" foi dupla, pois o Braga também lhes está a ganhar espaço.

Com 21 jornadas disputadas, os "minhotos" estão em segundo com 46 pontos, à frente do Porto (45) e Benfica (42).

Conseguiram chegar à final na Taça da Liga, onde perderam contra os "leões", e na Taça de Portugal vão disputar as meias-finais com o Porto.

O seu percurso na Liga Europa terminou recentemente, ao cair nos 16avos contra a Roma, mas deixou uma boa imagem na fase de grupos, com 4 vitórias e 14 golos.

TÁTICA E JOGO OFENSIVO

Carvalhal explica que o Braga não se baseia num sistema definido, mas sim em "princípios de jogo": a organização tática vai-se adaptando durante o jogo para dar respostas diferentes em função dos espaços.

O que é uma constante, e que se tornou desde o início numa das marcas de identidade deste Braga, é o jogo ofensivo, com uma média de 1,9 golos por jogo na Liga, acima da do Benfica.

"É uma equipa muito positiva, em que todos os jogadores, desde o guarda-redes, ameaçam sempre ao contrário", conta o treinador, que destaca outras qualidades: a busca de profundidade, o bom jogo interior e as combinações por fora.

Para esse perfil ofensivo foi muito importante na primeira metade da época o avançado português Paulinho, com 10 golos em todas as competições, chegando inclusivamente à seleção portuguesa.

MUDAM OS JOGADORES, CONTINUAM OS RESULTADOS

Mas Paulinho foi para o Sporting no mercado de inverno, e outra das figuras no ataque, o extremo português Iuri Medeiros, lesionou-se gravemente em finais de janeiro. Ainda assim, a boa forma do Braga não se viu afetada, continuando a marcar golos.

Chegaram novas contratações, como o brasileiro Lucas Piazon -vindo do Chelsea-, e outros jogadores cresceram na equipa, como é o caso do espanhol Abel Ruiz, que "tem tido uma evolução muito forte desde a saída de Paulinho", destaca Carvalhal.

"Há jogadores importantes que saíram, mas a realidade é que a equipa está a funcionar muito bem porque tem princípios de jogo e uma base tática sólida", diz o treinador, que recorda que também perdeu por lesão o lateral esquerdo Francisco Moura, pretendido pelo Barcelona.

Carvalhal não olha a longo prazo e centra-se por agora no próximo desafio, já esta quarta-feira, quando vai disputar no Dragão a passagem à final da Taça contra o Porto depois de um empate a 1 na primeira-mão.

Mas no horizonte, além da Taça, está o resultado do que o "jogo a jogo" lhes dará na Liga.

Se aguentar a pressão aos "grandes", o Braga poderá conseguir um segundo lugar que dá acesso à pré-eliminatória da Liga dos Campeões, uma competição cuja fase final apenas disputou em duas ocasiões, a última em 2012.

Por Paula Fernández