EFELisboa

Teste para entrar num comício, atos na rua, redes sociais mais ativas e até um camião preparado para improvisar um auditório ao ar livre são algumas das estratégias dos partidos para adaptar a campanha eleitoral à vaga de contágios recorde vivida por Portugal.

O país leva às costas várias eleições em pandemia e não esquece as presidenciais de janeiro de 2021, durante a vaga mais mortífera e em pleno confinamento, quando os candidatos reduziram os seus programas ao mínimo.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) não definiu desta vez regras específicas para a campanha das eleições de 30 de janeiro mas, ainda em tempos de coronavírus, os políticos tomam precauções.

ADEUS JANTARES, OLÁ TESTES

O Partido Socialista liderado por António Costa disse adeus aos jantares e almoços e às tradicionais "arruadas", os passeios nas ruas com os candidatos que costumam mover multidões.

A mais simbólica do PS celebra-se tradicionalmente no último dia de campanha no Chiado, em Lisboa, e desta vez está-se a estudar se é feita ou não, ficando pendente da evolução da pandemia.

Os socialistas também têm regras estritas nos seus comícios à porta fechada: para entrar é necessário ter a terceira dose da vacina ou fazer um teste proporcionado pelo próprio partido à porta.

UM CAMIÃO-AUDITÓRIO, O MAIS CRIATIVO

O líder da oposição, o PSD (centro-direita), apostou pela criatividade e alugou um camião que permite improvisar um auditório ao ar livre para evitar grandes aglomerações e lugares fechados.

O camião, como explicou o partido à Agência Efe, abre-se, tem capacidade para cerca de 60 cadeiras e espaço para organizar palestras e debates.

O PSD mantém as "arruadas", como a que foi protagonizada pelo seu líder, Rui Rio, e o autarca de Lisboa, Carlos Moedas, na capital, sempre com máscara, onde se pôde ver que, embora se tente, é difícil manter distâncias entre tantos militantes.

Contudo, o partido vai prescindir dos almoços e jantares.

Algo seguido tanto pelo Bloco de Esquerda como o Partido Comunista Português (PCP), que dão prioridade aos atos ao ar livre, enquanto o líder do Livre (esquerda), Rui Tavares, já foi visto a passear por um mercado com dupla máscara.

ALGUNS NÃO RENUNCIAM A TUDO

Outros partidos não quiseram renunciar aos jantares, como é o caso do CDS (democrata-cristão), da Iniciativa Liberal e do Chega (extrema-direita), que têm vários na agenda durante toda a campanha.

O líder do Chega, André Ventura, que se contagiou com covid-19 em agosto e não estava vacinado, não renuncia aos abraços aos militantes e passeia sem máscara.

Ventura aproveitou que o último domingo, dia de começo da campanha, foi o seu aniversário para soprar as velas e partilhar bolo com os seus simpatizantes.

INTERNET E OS MÉDIA, ALIADOS

Face às limitações da campanha, alguns reforçaram o papel das redes sociais e outros meios digitais, como o animalista PAN, que organiza sessões "online" para as ilhas e os distritos aos quais não irá presencialmente.

A ministra portuguesa do Trabalho, Ana Mendes Godinho, já assinalou esta semana numa entrevista com a Efe que a mobilização em campanha tem sido diferente em tempos de covid e que a internet está a ter um papel bem mais importante do que antes.

É uma campanha "bem mais digital, comunicação através dos grupos de internet, televisão, rádio...", explicou.

"Acaba por ser uma campanha muito centrada nos meios de comunicação e os poucos contactos com a população são mais controlados e limitados", aponta por sua vez Paula Espírito Santo, professora do Centro de Administração e Políticas Públicas da Universidade de Lisboa.

A politóloga considera que esta campanha "não é comparável com outras circunstâncias de antes da pandemia" e que a situação pode ter efeitos sobre a exposição pública dos candidatos.

Portugal está em plena quinta vaga com os contágios em máximos de toda a pandemia, com picos de mais de 52.000 infeções diárias e projeções que apontam para 400.000 pessoas confinadas no dia eleitoral.

Por Paula Fernández