EFECidade do Vaticano

O cardeal Robert Sarah, co-autor com Bento XVI de um livro em defesa do celibato, disse esta terça-feira em comunicado que o papa emérito sabia da existência do volume, o seu conteúdo e data de publicação, negando assim a informação de que ele não tinha dado a aprovação.

Numa declaração oficial divulgada no Twitter, o cardeal prefeito da Congregação para o Culto Divino respondeu às notícias publicadas em alguns meios de comunicação, incluindo o jornal italiano Corriere della Sera, a partir de uma fonte não identificada, que se define se identificou e se definiu como próxima ao pontífice emérito, em que assegurou que "Bento XVI não escreveu o livro a quatro mãos com o cardeal Sarah".

Esta fonte acrescentou que se trata de "uma operação editorial mediática, da qual Bento não quer fazer parte e é totalmente alheio".

No entanto, o cardeal guineense explica passo a passo como foram forjadas a escrita e publicação do livro com o texto de Bento XVI e um prólogo e uma conclusão assinada por ambos.

Sarah diz que comunicou ao papa emérito a possibilidade de publicar o material que ele tinha recebido do pontífice e fazer dele um livro, pois seria difícil fazê-lo nos meios de comunicação.

O cardeal acrescenta que o papa alemão, que decidiu renunciar ao pontificado em 2013, pôde ver o volume, a capa -que mostra uma foto dos dois- e o seu conteúdo no dia 19 de novembro.

Acrescenta que, no dia 25 de novembro, Bento XVI expressou a sua aprovação para a publicação "de acordo com o que tinha sido prevista" pelo cardeal, como também pode ser lido nas cartas do papa Emérito que Sarah publicou ontem à noite no Twitter.

Além disso, Sarah também enfatiza que no dia 3 de dezembro visitou Joseph Ratzinger na sua residência Mater Ecclesiae, dentro do Vaticano, onde vive desde sua renúncia, e que então o informou que o livro seria publicado em 15 de janeiro.

Sarah considera profundamente desprezível a polémica desencadeada por Bento XVI ao dizer não conhecer a publicação do livro.

A bomba caiu no Vaticano no último domingo, quando foi anunciado um novo livro assinado por Bento XVI e Sarah, um dos principais líderes da facção conservadora que critica todos os movimentos de Francisco, defendendo o celibato diante da decisão que terá que ser tomada pelo papa argentino sobre a proposta de ordenar homens casados do Sínodo da Amazónia.

O volume, publicado em francês pela editora Fayard e intitulado "Das profundezas dos nossos corações" ("Des profondeurs de nos coeurs"), chega às livrarias esta quarta-feira, enquanto o Papa encerra a sua exortação apostólica após o Sínodo da Amazónia, que para muitos é um movimento de pressão sobre Francisco.

Sarah afirma na sua declaração "que a sua proximidade com Bento XVI permanece intacta, bem como obediência filial ao papa".

Para alguns, esta foi uma tentativa de manipular um frágil Bento XVI, que irá completar 93 anos em abril, através da área mais conservadora da Igreja e em confronto com Francisco.