EFETóquio

O presidente do conselho de administração da Nissan Motor Co, o franco-brasileiro Carlos Ghosn, foi detido esta segunda-feira em Tóquio numa investigação das autoridades do Japão por supostas irregularidades nas suas finanças pessoais, informou a emissora de televisão japonesa "NHK".

A detenção foi feita por representantes da Procuradoria do distrito de Tóquio, segundo a "NHK" e outros média locais.

Ghosn, nascido no Brasil, descendente de libaneses e cidadão francês, também é presidente da aliança formada pela Nissan, Renault e Mitsubishi Motors e foi interrogado na capital japonesa por causa de uma investigação iniciada por violações financeiras, ao supostamente declarar um rendimento menor do que deveria.

A Nissan anunciou que vai oferecer uma conferência de imprensa esta noite para apresentar detalhes do caso, mas confirmou num comunicado oficial que Ghosn estava a ser investigado pela companhia "há vários meses".

Segundo o comunicado, as investigações estavam ligadas a "más condutas" de Ghosn e de outro alto executivo do grupo, Greg Kelly.

"A investigação demonstrou que, durante muitos anos, tanto Ghosn como Kelly declararam valores de compensação (financeira) no seu relatório à Bolsa de Tóquio que eram menores que os números reais", segundo o texto.

"Também em relação a Ghosn, foram descobertos muitos outros atos significativos de más condutas, como a utilização de bens da companhia para uso pessoal", ações nas quais Kelly também estava supostamente envolvido, de acordo com o texto oficial.

Por causa das denúncias, a direção do grupo Nissan vai propor ao conselho de administração que "destitua sem demora" Ghosn e Kelly das suas atuais funções.