EFELisboa

Carlos Moedas é a partir de hoje uma esperança para a direita ao ter acabado com 14 anos de hegemonia socialista em Lisboa. Engenheiro e filho de um histórico jornalista comunista, chegou a ser conhecido como o "ministro da troika" em Portugal antes de ser comissário europeu.

Carlos Moedas (Beja, 1970) protagonizou a surpresa eleitoral do país ao derrotar o socialista Fernando Medina na luta pela autarquia de Lisboa com uma vantagem de apenas 2.000 votos que só foi esclarecida de madrugada.

"Hoje começa um novo ciclo em Lisboa", disse Moedas em reação à sua vitória. Um ciclo "que não acaba aqui".

Moedas tornou-se numa ameaça para o Partido Socialista e um balão de oxigénio para o PSD num momento delicado para o seu líder, Rui Rio.

Uma inesperada vitória que contou com a contribuição do antigo primeiro-ministro (2011-2015) e ex-líder do PSD Pedro Passos Coelho, mentor político de Moedas, que acompanhou de perto a estratégia do candidato em Lisboa.

Moedas concluiu com 23 anos o curso de engenharia civil na Universidade Técnica de Lisboa, fez um mestrado em Administração de Negócios na Harvard Business School e depois trabalhou desde Londres para a Goldman Sachs.

Foi uma "ovelha negra" no seio da sua família, já que o seu pai, Zé Moedas, foi um respeitado jornalista comunista do Alentejo, um tradicional reduto de votos para a esquerda.

Entrou na política pela mão de Passos Coelho. Em 2011 foi nomeado secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro e foi um ativo negociador com a "troika". Uma gestão que lhe valeu a alcunha de "ministro da troika" nos anos mais duros da crise.

Em 2014 deu o salto à Europa como comissário de Investigação, Ciência e Inovação, cargo no qual ficou até à conclusão do mandato, em 2019.

Após deixar Bruxelas foi nomeado administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, onde promover programas para fomentar a sustentabilidade, o conhecimento e coesão social.

Um cargo que partilhou com os trabalhos como docente no Centro de Estudos Europeus de Londres, onde dava lições sobre a Europa e áreas como ciência e inovação.

Durante os últimos meses, já como candidato à Câmara de Lisboa, Carlos Moedas deixou claro que não é o número dois de ninguém, em referência ao líder do PSD, Rui Rio, que sucedeu ao seu "amigo" Pedro Passos Coelho.

Durante a sua campanha, Moedas enfatizou uma Lisboa aberta, inclusiva, diversa e mais inovadora, e no seu discurso afastou-se do partido de extrema-direita Chega.

O futuro autarca de Lisboa, que vai governar em minoria depois de conseguir 34,25% dos votos frente ao 33,3% do socialista Fernando Medina, tem muitos desafios iminentes, como os 66 bairros sociais dos arredores da capital para os quais Moedas defende uma mudança de gestão.

A bolha imobiliária e os problemas de acesso à habitação para os lisboetas estão também na lista de prioridades de Moedas, que prometeu uma Lisboa mais acessível aos jovens.

Por Carlos García