EFEWashington

A Casa Branca anunciou este domingo que não vai participar na primeira audiência pública para a qual foi convidada pela Câmara dos Representantes para um julgamento de destituição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma decisão que ressalta a sua disposição de deslegitimar o inquérito.

O presidente do Comité Judiciário da Câmara, o democrata Jerrold Nadler, tinha convidado os advogados de Trump a participar na primeira audiência pública, a ser realizada pelo painel que ele lidera, marcada para a próxima quarta-feira.

"Sob as circunstâncias atuais, nós não planeamos participar na sua audiência na quarta-feira", disse o advogado da Casa Branca Pat Cipollone numa carta enviada a Nadler.

Cipollone não descartou que a Casa Branca ou Trump poderia enviar advogados para futuras audiências no Comité Judicial e afirmou que uma resposta será dada antes da próxima sexta, prazo estabelecido pelo presidente do Comité Judiciário da Câmara.

Os juristas devem aparecer na audiência de quarta para discutir os precedentes constitucionais dos julgamentos políticos. Na sua carta, Cipollone insinuou que a Casa Branca considera-a uma sessão de menor importância. "Não inclui algum testemunho relacionado com os fatos", criticou.

"Existem inúmeras deficiências no processo, que infectaram a investigação. Uma discussão académica com professores de direito não proporciona ao presidente um julgamento justo", completou o advogado.

A decisão ilustra a determinação do Governo de boicotar um processo que tentou deslegitimar desde o começo, em setembro, uma dinâmica que teve o seu maior expoente no bloqueio de Trump a várias testemunhas-chave.

Ausente da audiência, a Casa Branca vai deixar os seus aliados, como o congressista republicano Jim Jordan, a tarefa de convencer os americanos de que o presidente não merece uma destituição por causa das suas pressões sobre a Ucrânia.

O Comité Judiciário da Câmara dos Deputados será o painel encarregado de determinar se deve ou não elaborar acusações contra o presidente, conhecidas como artigos de destituição.

Para isso, será baseado num relatório com as provas contra Trump que foi escrito por outro painel, o Comité de Inteligência, que nesta segunda-feira se vai reunir para rever este documento chave. Depois disso, na terça-feira, votará para aprová-lo e transmiti-lo ao Comité Judicial.

Se esse painel elaborar e aprovar acusações contra o presidente, a Câmara inteira votará para decidir se deve dar luz verde a uma audiência de destituição no Senado, onde os republicanos têm a maioria.