EFEBerlim

O bloco conservador da chanceler alemã, Angela Merkel, e os social-democratas de Martin Schulz entraram hoje na fase final de negociações à procura de um pré-acordo para reeditar a sua grande coluigação de governo.

Fica "muito trabalho a fazer", disse Schulz ao entrar na sede da União Democrata-Cristã (CDU, a sigla em alemão) de Merkel, onde acontecem as reuniões desta quarta-feira, e o ministro da Chancelaria, Peter Altmaier, repetiu a frase quase literalmente nesse mesmo lugar.

Os dois grupos -a CDU e o seu partido-irmão União Social-Cristã da Baviera (CSU), por um lado, e o Partido Social-Democrata (SPD), pelo outro- comprometeram-se a manter discrição sobre as conversas pelo temor de que uma possível fuga de informação possa atrapalhar as negociações, que começaram no domingo.

Apesar disso, nos dias anteriores circularam informações sobre diversos pontos nos quais, aparentemente, foram conseguidos consensos, como as questões climática, migratória e também tributária.

Segundo a plataforma "Redaktionsnetzwerk Deutschland", as duas partes coincidem na necessidade de impulsionar a incorporação de estrangeiros qualificados no mercado de trabalho alemão, de acordo com as insistentes reivindicações neste sentido da indústria do país.

Por outro lado, ainda não há consenso sobre o direito à reunificação familiar dos refugiados, que acabou por ser restringido em meados de 2016 para travar a chegada incessante de solicitantes de asilo.

Os social-democratas opõem-se à continuidade dessas restrições, que deveriam acabar em meados de março, mas o bloco conservador, especialmente a CSU, insiste em mantê-las.

Segundo as informações divulgadas pela imprensa, as partes chegaram a um consenso sobre a margem de manobra do futuro Executivo para reduções fiscais, auxílios às famílias e à construção de habitação, que foi quantificada em 45.000 milhões de euros.

Além disso, circularam ontem informações sobre um suposto acordo em matéria climática, no qual ambas as partes concordaram em desistir da meta de reduzir até 2020 as emissões de gases do efeito estufa em 40% em relação aos níveis de 1990, ao reconhecerem que a mesma é inatingível.

Esta fuga de informação, no entanto, provocou uma troca de acusações entre as partes, que teriam permitido que a imprensa tivesse acesso a algo que oficialmente não está decidido.

"Não há nada estipulado até que haja um acordo total", advertiu o secretário-executivo do grupo parlamentar conservador, Michael Grosse-Brömer, enquanto o seu homóloga social-democrata, Andrea Nahles, responsabilizou a CDU/CSU pela divulgação.

Segundo o calendário previsto, a negociação deve ser fechada esta quinta-feira, para que cada partido aborde o estipulado no dia seguinte e dê, ou não, a autorização para o acordo.

De seguida vem a fase mais delicada, pois o SPD deve pedir num congresso extraordinário, no dia 21 de janeiro, uma autorização para seguir com a negociação formal para uma grande coligação.

A partir daí, será negociado um programa de governo que deverá ser referendado internamente por cada partido e, no caso do SPD, pelos seus militantes.