EFEPorto (Portugal)

O diretor-executivo do Abanca, Francisco Botas, afirmou esta sexta-feira que os bancos estão a ser "muito proativos" para avançar no tema da sustentabilidade e salientou que a supervisão deste tipo de finanças não deve esquecer a sociedade económica, as empresas e as famílias.

"Penso que os bancos em geral estão a ser muito proativos e muito sensíveis à questão da sustentabilidade. Estamos a ser conscientes e a trabalhar em conjunto com reguladores e supervisores", afirmou durante a conferência sobre Finanças Sustentáveis desde uma Perspetiva Ibérica, organizada pelo Abanca nas Bodegas Calém da entidade espanhola no Porto (Portugal).

Botas disse que, embora ainda não conheçam com certeza as "chaves do futuro" da sustentabilidade, estão a trabalhar para progredir na sua direção, e pediu, no estabelecimento de metodologias de supervisão e regulação, para não esquecer "a sociedade económica, as PMEs, as empresas e as famílias".

"Preocupa-me nos próximos anos e trimestres que este sentimento de urgência impeça os reguladores e supervisores de acertarem no que nos pedem, que tenha utilidade macroeconómica, e que o que nos peçam tenha estabilidade ao longo do tempo", disse.

O CEO do Abanca recordou que a entidade tem como objetivo para 2024 ter produtos e serviços sustentáveis em toda a gama da sua oferta, e até agora os resultados obtidos são positivos.

"É uma área em absoluto crescimento e com uma rentabilidade muito maior", assinalou Botas, que recordou outros objetivos para 2024, tais como alcançar a neutralidade de carbono nas suas operações ou formar a sociedade, especialmente PMEs, o que representa um "desafio".

"Creio que as grandes empresas já o assumiram, mas temos de ir um passo mais à frente", disse.

Há também dois outros objetivos que, em 2021, já estão a ser atingidos: que toda a energia do banco seja oriunda de fontes renováveis e que todas as sedes do banco tenham zero emissões.

DIGITALIZAÇÃO COM MÃO DADA COM A SUSTENTABILIDADE

Botas salientou também a importância de juntar ao debate sobre a sustentabilidade uma mudança que tem vindo a ocorrer na sociedade mesmo antes da pandemia de coronavírus, a digitalização.

"Temos que ser muito conscientes do que está a acontecer pós-covid", disse, e relatou a experiência do Abanca, que se encontra bem posicionado na banca móvel.

As transações digitais cresceram 50% no último ano, as operações em numerário caíram entre 25% e 35% e a banca móvel cresceu 22%.

"Tudo isto converge no facto de hoje em dia 70% das transações da entidade serem digitais", disse.

O Abanca está também a trabalhar com os fundos Next Generation, com assessoria de clientes, antecipação de possíveis ajudas europeias e acompanhamento do investimento através de financiamento.

"Temos de estar muito atentos nos próximos anos", ressaltou o diretor-executivo do Abanca.

Botas participou numa mesa redonda com a vice-governadora do Banco de Espanha, Margarita Delgado, que reconheceu que os bancos "são até certo ponto responsáveis" em termos de finanças sustentáveis porque têm uma "posição privilegiada como financiadores", mas não são os únicos responsáveis.

A conversa contou também com a diretora do Departamento de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal, Ana Cristina Leal, que salientou a necessidade de "atualizar e adaptar modelos de análise para melhor compreender como o risco climático pode afetar a estabilidade financeira e a resiliência dos bancos".