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Com um renovado trio angelical e realizado pela primeira vez por uma mulher, o novo filme de “Charlie's Angels” ressuscita a mítica saga com mais “força feminina” que nunca.

“Queria fazer um filme de ação e que as protagonistas fossem mulheres. Esta é uma das poucas sagas em Hollywood que o consegue”, explicou a realizadora do filme, Elizabeth Banks, em declarações à Efe.

Além de se encarregar da realização, Banks escreveu, produziu e atuou no filme.

Banks confessou que assumir todos esses papéis ao mesmo tempo não foi nenhum obstáculo, antes pelo contrário, tendo sido “uma grande vantagem” porque lhe permitiu “ter uma visão conjunta do resultado” e “agilizar o processo”.

Fã da série de televisão criada por Ivan Goff e Ben Roberts nos anos setenta e das posteriores adaptações cinematográficas em 2000 e 2003, Banks decidiu realizar uma continuação da narrativa original e adaptá-la ao presente.

“Em Hollywood escasseiam as oportunidades para que as mulheres possam ser apresentadas a si próprias como heróis de ação. Demos-nos conta de que era a ocasião para mostrar que este é o novo standard de heroínas", acrescentou a realizadora.

Neste novo filme, Kristen Stewart, Naomi Scott e Ella Balinska substituem Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu, as icónicas protagonistas das encarnações cinematográficas anteriores.

“Nós as três crescemos com os dois primeiros filmes, de modo que a ideia de fazer outro filme de Charlie's Angels entusiasmou-me inclusivamente antes de ler o guião”, contou Kristen Stewart à Efe.

“Acho que sim, há espaço para um novo filme. As personagens são diferentes, a Agência Townsend globalizou-se… É uma sequela e acho que chegou no momento adequado”, expressou a sua colega de elenco Naomi Scott.

O novo filme, já nas salas portuguesas, narra a história de Elena Houghlin (Naomi Scott), que criou uma invenção revolucionária para criar energia sustentável mas que, nas mãos erradas, poderia ser uma arma letal. Para evitar o caos, a jovem engenheira vai à Agência Townsend à procura de ajuda.

Em pessoa, a química entre o elenco angelical é tão real como na ficção.

“Todas gostamos das intenções que a Elizabeth tinha ao fazer o filme, de modo que a nossa ligação surgiu de forma natural. Era como, sororidade? Genial!”, explicou Scott.

“Na realidade queria simplesmente fazer um filme de ação que fosse divertido. As pessoas acham que fiz uma espécie de declaração feminista porque fiz um filme de "Charlie's Angels" e sou mulher, mas na realidade segui a mesma fórmula de 1976: juntar três mulheres que trabalham juntas para derrotar homens maus”, apontou Banks.

Lutas acrobáticas, perseguições, sequências de ação de alto impacto... "Foi um trabalho muito duro. As condições climáticas tornaram-no bastante difícil, especialmente as sequências onde gravamos ao ar livre, mas foi muito divertido", relatou Ella Balinska.

Apesar da sua nova reinterpretação, não deixa de ser um filme de ação, mas a ideia de “empoderamento feminino” é uma temática omnipresente nesta nova sequela.

Em palavras de Stewart, o filme “não fala da necessidade de empoderar as mulheres, é simplesmente uma história contada por uma mulher empoderada.”

Nos últimos anos, a indústria do cinema parece ter normalizado que as mulheres encarnem papéis fortes. “Está a tentar mais do que nunca, estão-se a desenterrar tantas histórias que até agora não podiam vir à tona”, mas ainda “não o conseguiu ao todo", acrescentou a atriz.

“Durante a criação deste filme, tive a sorte de poder inspirar-me em mulheres reais de todo o mundo que estão a alçar a voz por aquilo no qual acreditam. Desde Malala, Greta Thunberg, as mulheres do exército ou as manifestantes...existe uma sensação real de que nestes momentos o poder coletivo das mulheres pode ser realmente significativo e esse foi, sem dúvida, um dos temas que coloquei no filme”, explicou Elizabeth Banks.

“Só espero que haja cada vez mais igualdade de oportunidades e que as mulheres possam contar as histórias que queiram contar”, concluiu.

Por Claudia Bösser