EFELisboa

Portugal está em contagem decrescente para as eleições legislativas marcadas para dia 30, convocadas para assegurar a governabilidade do país após a crise política que interrompeu o Governo do socialista António Costa a meio da legislatura.

A campanha, com 21 partidos, o mesmo número que nas legislativas de 2019, entra no seu equador com uma agenda centrada em mobilizar o voto de 10,8 milhões de eleitores numas eleições que, segundo as sondagens, não deixarão um cenário político fácil.

Estas são algumas das chaves para não se perder nas eleições:

CAMPANHA COVID E MAIS DE 30 DEBATES

As eleições coincidem com os máximos de contágios registados em Portugal, que atravessa uma quinta vaga de covid-19 com recordes superiores a 56.000 casos diários, o que obrigou os partidos a modificar as suas estratégias.

Menos eventos fechados, almoços e jantares, mais rua, camiões que permitem montar um auditório móvel e medidas de proteção como testes para entrar em comícios ou até o uso de duas máscaras são algumas das alternativas para se proteger do vírus.

Mas a estrela destas semanas foram os mais de 30 debates televisivos, tanto "cara a cara" como a grupo, um número sem precedentes e uma tentativa de mobilizar o voto que foi um sucesso de audiência -ao todo mais de 20 milhões de espetadores-.

Os especialistas explicam o protagonismo dos debates pela conjuntura pandémica: "Havia medo de que a campanha eleitoral fosse mais restringida, mas também porque houve um acordo generalizado entre os meios de comunicação e os partidos políticos", aponta à Agência EFE o politólogo António Costa Pinto.

Porém, segundo as sondagens, têm um impacto relativo: 5% da audiência admite ter mudado de opinião e 9% tem ainda mais dúvidas do que antes de ouvir os candidatos.

VOTO ANTECIPADO

A pandemia obrigou também a mudar a dinâmica do processo eleitoral. Promoveu-se o voto por correio e o voto antecipado, que permite aos portugueses depositar a sua cédula nas urnas uma semana antes, neste domingo, dia 23, em diferentes centros do país.

Esta fórmula, pensada sobretudo para eleitores ausentes no dia eleitoral, já existia antes da pandemia, mas apenas 50.000 pessoas a usaram em 2019. Desta vez, 260.000 aderiram a esta opção, entre os quais o primeiro-ministro e candidato socialista António Costa, que votará este domingo no Porto.

Ainda assim, os números ainda estão longe das estimativas do Governo, que previa um milhão de eleitores.

CONFINADOS VÃO PODER VOTAR

Procurava-se com o voto antecipado facilitar a participação no meio da maior vaga de contágios da pandemia. Estima-se que mais de 400.000 pessoas -a imprensa do país fala até de 600.000- estarão confinadas no domingo de eleições.

Os confinados poderão sair do isolamento e votar no dia 30, preferencialmente entre as 18h00 e as 19h00, antes do fecho das urnas.

A decisão, anunciada pelo Governo depois de consultar com a Procuradoria, não gerou consenso, especialmente entre os médicos, e a Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP) considera que os confinados devem votar em lugares separados para evitar contágios.

E DEPOIS?

A maior incógnita é, como em todos os atos eleitorais, o resultado. Como se vão distribuir os 230 deputados do hemiciclo? As sondagens auguram um cenário político complexo.

Todas as sondagens apontam para os socialistas de Costa como favoritos, mas sem maioria absoluta (menos de 40%), e com o PSD a encurtar distâncias -a última sondagem marca 4 pontos de diferença-.

A atenção centra-se em cinco distritos considerados decisivos: Lisboa, onde o PSD surpreendeu ao roubar a Câmara da cidade ao PS há três meses; Porto, muito disputado e berço do líder conservador, Rui Rio; Setúbal, de tradição comunista com possibilidades para o PS; Aveiro, reduto do PSD onde os socialistas sobem, e Braga, também muito dividido.

Salvo surpresa, serão necessários pactos para governar, e Costa, se acabar por ganhar, tem as suas opções limitadas: fazer as pazes com os partidos de esquerda que o apoiaram no passado ou procurar o PSD sob o emblema da governabilidade.

Na jovem democracia portuguesa, PS e PSD partilham as vitórias: de 16 eleições legislativas, oito foram ganhas pelos socialistas e as outras oito pelo PSD.

Por Paula Fernández