EFEPequim

A China reafirmou esta terça-feira a sua disposição para cooperar com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e indicou que continua a negociar com o organismo para que um grupo de especialistas viaje em breve ao país asiático para investigar a origem do coronavírus.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Zhao Lijian, assegurou esta terça-feira em conferência de imprensa que a China se encontra em conversas com a OMS sobre os pormenores desta viagem e acrescentou que "os detalhes serão dados a conhecer de maneira oportuna", sem oferecer mais informação.

A China vai continuar a participar na investigação científica mundial para rastrear a origem e rota de transmissão do vírus, e trabalhará com o resto da comunidade internacional para contribuir para a cooperação global na luta contra a covid-19", disse Zhao, citado pela televisão estatal CGTN.

Desde o início da pandemia, assinalou Zhao, que o país asiático tem estado "em contacto constante" com a OMS para rastrear a origem do vírus.

"A China está a realizar a sua própria investigação, mas também tomou a iniciativa de convidar peritos da OMS a visitar o país para trabalharem em conjunto nisto", acrescentou.

O epidemiologista da OMS Michael Ryan disse segunda-feira que "todos precisamos de saber de onde veio o vírus e onde poderá reaparecer no futuro", e afirmou que a OMS ainda está a trabalhar para enviar uma equipa internacional de peritos para visitar a cidade de Wuhan, onde o coronavírus começou a ser transmitido massivamente.

"Penso que os nossos colegas chineses estão tão ansiosos como nós para encontrar respostas", disse Ryan, acrescentando que "a viagem será realizada o mais cedo possível".

Uma equipa de peritos da OMS já visitou a China em julho e fevereiro para investigar as origens do coronavírus, embora em ambas ocasiões tenham sido revelados poucos detalhes.

UM VÍRUS ZOONÓTICO

Um relatório de Termos de Referência (TOR) para a China que a OMS publicou a 31 de julho indicou que não estava claro de que o mercado de marisco de Huanan em Wuhan "foi a fonte de contaminação, se atuou como amplificador para o contágio entre humanos ou foi uma combinação desses fatores".

Apesar de meses de investigações, continua-se sem se conhecer com exatidão a origem do coronavírus, sabendo-se apenas que se trata de um vírus zoonótico, ou seja, transmitido desde os animais ao ser humano.

Existem suspeitas de que certos morcegos oriundos do sul da China ou o pangolim, um animal às vezes consumido como prato de luxo no país asiático, poderão ter participado na transmissão, que poderá ter passado por mais uma espécie antes de chegar a humanos.