EFE

Madrid

Investigadores do Instituto de Saúde Carlos III conseguiram o primeiro rascunho da sequência completa do vírus responsável pela varíola dos macacos (Monkey Pox) que circula por Espanha a partir de amostras de 23 pacientes.

Este feito, alcançado por uma equipa do Laboratório de Arbovírus e das Unidades de Genómica e Bioinformática deste Instituto -dependente do Ministério de Ciência e Inovação espanhol, permitirá fazer análises mais avançadas para obter dados sobre o seu comportamento e compreender melhor a sua origem, circulação e difusão.

A sequenciação completa confirmou que o vírus da varíola dos macacos que foi detetado em Espanha pertence a um grupo fitogenético de África Ocidental, que é o de menor virulência entre as variantes conhecidas.

Este é também o que foi identificado na maioria dos países fora de África envolvidos neste surto atual, entre os quais Portugal.

Segundo informou esta quinta o Instituto de Saúde Carlos III, esta é uma das sequências mais completas obtidas até à data, que permitiu também chegar a uma cobertura de 100% dos 190.000 pares de bases do genoma deste vírus.

A sequenciação realizada pelo Laboratório de Arbovírus do ISCIII, em colaboração com as unidades de Genómica e Bioinformática, beneficiou das referências publicadas nos últimos dias por outros países (Bélgica, Alemanha, Portugal e EUA), e foi baseada em tecnologia genómica de nova geração.

A esta tecnologia juntou-se uma análise complementar das amostras, realizadas através de uma técnica conhecida como "montagem de novo", disse o Instituto.

As sequências em bruto foram concluídas na última segunda-feira, e a análise computacional foi concluída nas últimas 36 horas.

Os resultados indicam que as amostras sequenciadas parecem pertencer ao mesmo surto detetado noutros países europeus, uma vez que os genomas obtidos quase não diferem dos já sequenciados noutros países; em particular, a análise efetuada no ISCIII conclui que existem muito poucas diferenças em relação à sequenciação feita na Alemanha.

A sequência confirma que o vírus da varíola macaco no surto em Espanha pertence ao "clade" -variante- da África Ocidental.

Os "clades", de acordo com o Instituto, são grupos filogenéticos que definem a evolução biológica de um organismo, explicando como este atua e se comporta, e podem-se observar nestes as diferenças genéticas dos vírus circulantes.

Após a obtenção da sequência completa do vírus, várias equipas de investigadores do ISCIII começaram a realizar análises filogenéticas para determinar a relação entre as amostras espanholas e as de outros países.

A informação obtida será comparada com a já conhecida e depositada em bases de dados internacionais para avaliar o grau de identidade e, quando apropriado, a localização de quaisquer diferenças que possam existir entre a sequência espanhola e outros dados internacionais.

Toda esta informação, salientou o Instituto, permitirá a realização de estudos de rastreabilidade do surto, assim como a potencial identificação da sua origem.