EFEAlicante (Espanha)

Uma nova alteração no cérebro das pessoas com Alzheimer, que abre a possibilidade de encontrar a curto prazo um bom biomarcador diagnóstivo e a longo uma intervenção terapêutica, foi descoberta por cientistas do Instituto de Neurociências de Alicante (CSIC-UMH).

Segundo este instituto espanhol, esta é uma notícia que traz esperança para o dia mundial do Alzheimer, que se celebra na próxima segunda-feira, 21 de setembro.

Apesar dos importantes avanços em investigação nos últimos anos, a etiopatogenia da doença de Alzheimer continua sem estar de todo aclarada, e uma das questões chave é decifrar por que motivo aumenta a produção de beta amilóide, a proteína que produz o efeito tóxico e que desencadeia a patologia, no cérebro destes pacientes.

O laboratório do Instituto realizou um estudo inovador que se mostra muito prometedor, segundo o responsável pelo grupo de investigação, Javier Sáez-Valero.

"Descobrimos que a glicosilação do precursor amilóide no cérebro de paciente com Alzheimer está alterada" de maneira que "está a ser processado provavelmente de uma maneira diferente".

Esta patologia ainda sem tratamento afeta 1,2 milhões de pessoas em Espanha, número que se prevê que irá triplicar nas próximas décadas.

Uma situação que se agravou com a atual pandemia da covid-19, devido ao confinamento, e que provocou uma diminuição ainda mais rápida das capacidades cognitivas dos afetados, bem como um aumento das mortes por causas inespecíficas neste grupo, segundo denunciou recentemente a associação Alzheimer Europe.

Segundo dados da Sociedade Espanhola de Neurologia, são diagnosticados anualmente em Espanha cerca de 40.000 novos casos de Alzheimer. Estima-se que 80% dos casos que ainda são leves estão sem diagnosticar.