EFELisboa

A empresa Real FEVR, sediada em Lisboa, tornou-se em tempo recorde numa referência mundial para colecionadores que compram com criptomoedas saquetas virtuais com vídeos das melhores defesas ou golos de estrelas do futebol. Momentos únicos pelos quais se pagam já autênticas fortunas.

O criador da ideia chama-se Fred Antunes, um português que confessou à Agência EFE que no primeiro mês de atividade lucrou com a venda de cromos virtuais 1,6 milhões de dólares (1.015.000 euros).

Após o seu lançamento a 12 de agosto, o "marketplace" da plataforma Real FEVR gerou um volume de transações de 4 milhões de dólares (3.384.420 euros), já que o dono do vídeo que aparece na saqueta pode colocá-lo à venda nesse site.

O mais caro foi um golo que Bruno Fernandes, agora no Manchester United, marcou ao Portimonense quando jogava pelo Sporting.

O utilizador gastou apenas 70 euros numa saqueta de cromos virtuais e revendeu o vídeo de Bruno Fernandes por 90.000 dólares (76.000 euros).

Para um vídeo de uma defesa de Iker Casillas na época 2016-2017, quando era titular do Porto, chegaram a pagar 26.000 dólares (22.000 euros), diz Antunes.

Para aceder à compra de cromos, o utilizador deve trocar a moeda corrente, como euros, pela criptomoeda da plataforma, chamada FEVR Token.

COMO SURGIU A REAL FEVR

A empresa foi criada em 2015 para importar dos Estados Unidos o negócio da "Fantasy League", que na América representa um volume de negócios de 18.000 milhões de dólares, explica o CEO.

Como startup, o objetivo na Europa era replicar o modelo da Fantasy League.

Porém, como modelo de negócio "não é muito bom", já que não há cultura na Europa, como nos Estados Unidos, de pagar para jogar na Fantasy League, e esse foi o problema.

No ano passado reinventaram-se e começaram a trabalhar com "Blockchain" para explorar os chamados ativos digitais, onde "há muito potencial para evoluir e crescer", explica Antunes, pois "como modelo de negócio é mais potente que as Fantasy Leagues".

GOLOS E DEFESAS, OS ATIVOS DIGITAIS NFTs

A chave são os NFTs (Non-Fungible Tokens), ativos digitais que "permitem criar tudo o que consideramos ter valor".

Por isso, explica Fred Antunes, procuraram "os momentos únicos e fantásticos que o futebol tem", transformando "os golos dos jogadores em momentos históricos que as pessoas podem colecionar".

Quando o fã abre a saqueta digital na plataforma Real FEVR, recebe um vídeo, ao invés de um cromo, com golos de Cristiano Ronaldo, Falcao, Hulk ou James Rodríguez, entre outros. São "momentos únicos" de mais de 600 jogadores.

No seu primeiro lançamento de saquetas digitais que fizeram no mês passado, um dos golos de Bruno Fernandes foi "revendido" por 90.000 dólares.

AS SAQUETAS DIGITAIS

Cada saqueta tem três tipos distintos: básico, raro e super raro.

O preço é diferente e o super raro tem mais vídeos do que o básico.

No total, em quatro minutos, quando foi lançado a 12 de agosto, foram vendidas saquetas no valor de um milhão de euros, e em 26 horas o negócio chegou a 1,6 milhões de dólares. "Esgotaram completamente".

Desta maneira, a estrutura do negócio baseia-se em dois elementos: as saquetas que um utilizador pode comprar e o "marketplace" do próprio site onde os utilizadores podem vender os vídeos que obtiveram, já que cada um pode exibir a sua própria coleção com o preço de cada vídeo.

"Cada pessoa decide o valor que põe a cada momento, a cada vídeo", esclarece o responsável.

A vantagem é que, ao contrário dos cromos tradicionais, que requerem um ponto de venda físico, este "podem ser vendidos ao mesmo tempo em todo o mundo sem ter distribuição física local".

VÍDEOS ÚNICOS COM PROPRIEDADE INTELECTUAL

O vídeo que calha a cada utilizador é exclusivo seu, não saem repetidos, ninguém mais o pode ter. "Os nossos vídeos são oficiais e com propriedade intelectual".

No caso do de Bruno Fernandes, o utilizador comprou três packs básicos e um pack raro por 70 dólares.

E conhecem os dados do utilizador? "Não, não sabemos, não temos forma de o saber", diz Antunes.

Devido ao Regulamento Geral de Proteção de Dados, não podem aceder aos dados do utilizador. Toda a plataforma funciona de forma privada e cada utilizador tem a sua coleção.

Neste momento, a Europa e o Brasil representam a maioria do tráfego deste site, que tem uma média de 2 milhões de visualizações de página por dia.

ONDE ESTÁ O NEGÓCIO

"Ganhamos sempre uma comissão por cada transação e a empresa que detém os direitos dos vídeos tem um royalty por cada vez que o vídeo é vendido", explica.

Dessa forma, a Real FEVR ganha 2% de comissão por cada revenda do vídeo e a empresa detentora dos direitos recebe outros 2% em taxas.

No primeiro mês já conseguiram em conceito de venda de saquetas 1,6 milhão de dólares, mais os 4 milhões de dólares que o marketplace da plataforma movimentou.

Ou seja, com este negócio, a Real FEVR recebeu num mês 1,6 milhões em saquetas vendidas, mais uma comissão de 2% dos 4 milhões que a troca comercial de cromos digitais gerou.

O próximo lançamento será o primeiro golo de Cristiano Ronaldo pelo Sporting, no final deste mês de setembro. "Apenas uma pessoa em todo o mundo terá o seu primeiro golo com o Sporting".

GOLOS DE CRISTIANO

Bruno Fernandes, Iker Casillas, Hulk ou James Rodríguez estão entre os mais procurados e o preço médio dos golos de Cristiano é de 50.000 euros cada.

Uma defesa de Iker Casillas já foi vendida por 26.000 dólares. Foi uma intervenção que protagonizou ao serviço do Porto no jogo contra o Sporting na época 2016-2017. Bloqueou um cabeceamento do uruguaio Coates aos 90 minutos quando os "dragões" venciam por 2-1.

"Todas as semanas entregamos coisas novas para a nossa comunidade", segundo os responsáveis do site.

O relevante para o negócio não é a competição, pois o fundamental são os jogadores, que são os protagonistas do momento artístico.

Têm "os direitos dos últimos 22 anos da Liga portuguesa" e agora querem ter vídeos de mais golos de outras competições.

O que têm é a "licença para torná-lo exclusivo por meio de ativos digitais NFTs".

O vídeo pode ser exibido na televisão, mas no processo de monetização e impressão dos NFTs são eles que têm "a exclusividade".

FEVR TOKEN, A CRIPTOMOEDA

Os utilizadores devem ter a criptomoeda FEVR Token. Ou seja, para operar na plataforma, primeiro têm de trocar dinheiro por FEVR Token e então já podem operar.

Com euros compram FEVR Token e com esta criptomoeda compram os cromos.

E depois, os vídeos podem ser revendidos com as criptomoedas bnb ou ether.

No total, já venderam 76.000 saquetas desde 12 de agosto e em breve irão lançar uma oferta de outras 30.000, diz Fred Antunes.

REAL FEVR

Esta empresa portuguesa conta com 40 investidores desde janeiro deste ano, altura em que se lançou à oferta de 2,2 milhões de dólares. Até ao final do ano farão uma nova ronda para valorizar a empresa até aos 200 milhões de dólares e, assim, "continuar a crescer".

"Pode parecer muito, mas em comparação com os nossos concorrentes diretos nos Estados Unidos estamos bem abaixo, pois existe um cujo valor é de 7.200 milhões", diz.

O objetivo é "chegar a acordos com outras competições de futebol e também chegar a outros desportos".

Nesta época vão já começar com outras ligas de futebol, avança Antunes.

Atualmente têm um quadro de 52 pessoas, todas podem trabalhar remotamente e a sede principal está em Lisboa. A equipa conta com pessoas de dez países: Brasil, Paquistão, Bulgária, Espanha ou Estados Unidos, embora a maioria seja portuguesa.

Por Carlos García