EFEGenebra

Uma decisão que proíbe a exportação de elefantes selvagens a jardins zoológicos ou parques de atração poderá ser revertida dentro de alguns dias pela União Europeia, que manifestou a sua oposição a essa medida, disse hoje a organização conservacionista Human Society Internacional (HSI).

A proibição foi adotada por votação na conferência que reúne em Genebra os 183 Estados membros de uma convenção que regula o comércio internacional de animais e plantas ameaçadas, mas ainda deve ser referendada na próxima semana na reunião plenária final.

Numa votação inicial, 46 países apoiaram limitar de maneira estrita a venda de elefantes selvagens de Africa aos compradores que tenham por objetivo que continuam a viver no seu meio natural, o que na prática significa que não poderão ser capturados para que vivam em cativeiro.

Dezoito países votaram contra a restrição e outros 19 abstiveram-se na votação, realizada numa das duas comissões onde as propostas são debatidas sob critérios técnicos e científicos.

Caso for referendada, a decisão modifica a atual situação dos elefantes do Zimbabué e da Namíbia, que se encontram protegidos pela convenção mas a um nível que permite a sua exportação "a destinos apropriados e aceitáveis".

ONG defensoras dos animais denunciaram que, amparando-se nessa exceção, no Zimbabué eram capturadas crias de elefante para serem vendidas a jardins zoológicos, especialmente da China.

A HSI disse esta quarta-feira, numa declaração pública, que teme que a UE reabra o debate deste tema e que peça um novo voto na sessão plenária para se opor, e que, com o peso dos seus 28 votos, poderia reverter a proibição.

A UE não pôde participar na primeira votação por problemas relacionados com o credenciamento dos seus delegados, algo já resolvido, segundo confirmaram fontes da conferência.

O biólogo especializado em elefantes e diretor da HSI, Audrey Delsink, lembrou que os paquidermes são animais sociáveis e dotados de sensibilidade e que os exemplares em liberdade demonstraram comportamentos de tristeza, de consciência de si próprios e de compaixão.

Por isso, quando um membro do grupo é capturado, este e a família da qual se separa sofrem trauma psicológico, assegurou o especialista.

Observou-se que os elefantes em cativeiro sofrem doenças -como cólicas, problemas nas patas e unhas, obesidade e diversas doenças da pele- que os exemplares que vivem em liberdade não costumam ter.

"Os elefantes têm uma longevidade de pelo menos 60 anos no seu meio natural e o cativeiro é cruel e não o podem suportar", defendeu Delsink.

A organização está a mobilizar os seus seguidores e a pedir-lhes que se juntem a um apelo que urge à União Europeia e aos Estados Unidos que apoiem a proibição de venda de elefantes africanos selvagens a jardins zoológicos ou outros estabelecimentos que oferecem atrações relacionadas com animais.

A conferência dos países que participam na Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestre (CITES) reúne 3000 especialistas até ao próximo dia 28 para debater 56 propostas para modificar os níveis de proteção de animais e espécies vegetais.