EFEBadajoz (Espanha)

A cooperação entre Espanha e Portugal desenha o seu futuro com os olhos postos em priorizar ações e projetos que contribuam para ter uma União Europeia (UE) mais inteligente, verde, social e, acima de tudo, "virada ao cidadão".

Estes objetivos foram explicados pela diretora da Secretaria Conjunta do Programa de Cooperação Transfronteiriça Interreg Espanha-Portugal (POCTEP), Elena de Miguel, durante uma entrevista com a Agência EFE no âmbito do Dia da Cooperação Europeia, que se realiza anualmente a 21 de setembro.

"Há mais de um ano que se está a elaborar e trabalhar o novo POCTEP", que irá abranger o período 2021-2027, e existe um grupo de trabalho a estudar "os desafios e temáticas" que serão prioritárias, segundo De Miguel.

Procura-se construir "uma Europa mais inteligente, verde, social e virada ao cidadão", essas são "as quatro grandes linhas nas quais se vai estruturar o programa", detalha.

O objetivo é acometer especialmente projetos em matéria de investigação, desenvolvimento e inovação; ambiente e prevenção de riscos; e desafio demográfico.

"Sem esquecer, claro, a mobilidade, a ordenação do território e o turismo nas suas vertentes natural, cultural e patrimonial", afirma De Miguel.

BALANÇO DO PERÍODO 2014-2020

Elena de Miguel recorda ainda que também estão imersos no balanço do período 2014-2020, para o qual o POCTEP contou com um financiamento total de 484 milhões de euros, 365 milhões dos quais procedentes do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

Esses recursos permitiram aprovar e financiar 240 projetos de cooperação ao longo dos 1.234 quilómetros da fronteira luso-espanhola, "a mais antiga e longa da UE", ressalta De Miguel.

Destacar algum projeto entre tantos "é difícil", sobretudo tendo em conta a variedade de temas e regiões envolvidas, as comunidades espanholas da Galiza, Castela e Leão, Extremadura e Andaluzia junto às regiões portuguesas do Norte, Centro, Alentejo e Algarve.

Ao dar "uma pincelada" das iniciativas abrangidas pelo POCTEP, De Miguel enfatiza a importância do denominado Centro Ibérico para a Investigação e Luta contra Incêndios Florestais (CILIFO), pensado para ser um centro de referência na UE para prevenção de incêndios com protocolos de cooperação conjuntos e realização de simulacros.

Elena de Miguel salienta ainda um centro de inovação que trabalha com materiais sustentáveis na área da Galiza-Norte de Portugal, que durante a pandemia, "com materiais procedentes de sobras de empresas como a Adolfo Domínguez", fabricou equipamentos de proteção contra a covid-19 para os trabalhadores da saúde.

E, por último, menciona as rotas de desenvolvimento cultural da região do Alqueva (Extremadura-Alentejo), onde se aproveitam os "excelentes céus escuros" desse território para fomentar um turismo "à volta das estrelas" e apoiar a luta contra o despovoamento.

O POCTEP comemorou o Dia da Cooperação Europeia, que "este ano tem uma conotação muito especial" porque é o seu décimo aniversário, com um concerto e um concurso de fotografias para premiar as da Eurocidade de Badajoz, Elvas e Campo Maior (EUROBEC) "que souberam captar o espírito da cooperação transfronteiriça".

Por Miriam Burgués

(Esta entrevista faz parte da série "Histórias Transfronteiriças de Coesão Europeia", #HistóriasTransfronteiriças, #Crossborder, um projeto da Agência Efe financiado com o apoio da Comissão Europeia. A informação é responsabilidade exclusiva do seu autor. A Comissão não é responsável da utilização que se possa fazer desta)