EFEHavana

As autoridades de saúde de Cuba começaram a administrar uma nova fórmula homeopática à população de risco para reforçar as suas defesas contra a COVID-19, mas advertiram que o produto "não impede o contágio, nem exclui medidas preventivas", como a lavagem de mãos e o isolamento social.

O PrevengHo-vir, que é aplicado em gotas sob a língua, permite "um aumento da resistência e defesa do organismo" contra doenças virais e respiratórias agudas, embora "não esteja especificamente registado para coronavírus", disse Yohan Perdomo, chefe do departamento de Medicina Natural e Tradicional do Ministério da Saúde Pública, à rede de televisão estatal.

Perdomo afirmou que o produto começou a ser administrado a idosos em lares, centros médicos, centros psicopedagógicos e hospitais psiquiátricos, assim como em núcleos populacionais com maior risco de contágio devido ao número de casos acumulados, incluindo o distrito de Plaza de la Revolución, em Havana.

O Ministério da Saúde Pública espera que a solução homeopática chegue posteriormente à população geral através dos médicos e enfermeiros de família que constituem o sistema de atendimento primário em Cuba.

NÃO SUBSTITUI OUTRAS MEDIDAS PREVENTIVAS

"É mais um elemento que vem se juntar à estratégia de prevenção e não substitui nenhuma das medidas (...) Não significa eliminar a utilização de máscaras, a lavagem de mãos ou a possibilidade de participar em aglomerações", afirmou.

Perdomo disse ainda que "existem publicações em revistas científicas em que foi provado um impacto" da homeopatia.

A nova fórmula é uma solução hidroalcoólica feita "a partir de cepas homeopáticas de origem vegetal, mineral, animal e biológica", disse Diadelis Ramírez, investigadora do Centro de Controlo Estatal da Qualidade dos Medicamentos (Cecmed), na mesma entrevista à TV estatal.

Ramírez não revelou os componentes ou princípios ativos do PrevengHo-vir, que está a ser produzido pela empresa estatal BioCubaFarma, mas destacou que Cuba "tem vindo a ganhar experiência na avaliação e aprovação destes medicamentos".

Francisco Durán, diretor da Minsap Epidemiologia e "rosto" da luta contra o coronavírus em Cuba, também citou esta segunda-feira, em conferência de imprensa, esta alternativa homeopática, cujos componentes descreveu como "muito bons e muito inofensivos".

A fórmula permite "aumentar a resistência e a defesa do organismo" contra uma determinada doença, mas "não impede o contágio e não exclui medidas de proteção", frisou.

"O que faz é que, se tomarmos, podemos ter defesas melhores", acrescentou Durán.

EXPERIÊNCIAS ANTERIORES

Este tipo de fórmula homeopática supostamente preventiva já foi utilizado no país caribenho para combater a dengue e também nos surtos de cólera de 2012 e 2013.

Cuba tem uma indústria biofarmacêutica avançada, mas, ao mesmo tempo, tem promovido nos últimos anos tratamentos com medicamentos tradicionais e naturais, como a homeopatia, num momento em que atravessa uma grave crise económica que levou a uma escassez de medicamentos.

A iniciativa de distribuir um produto homeopático causou alguma controvérsia entre os cubanos presentes nas redes sociais, muitos dos quais questionaram a ausência de estudos científicos conclusivos sobre a homeopatia.

Cuba contabilizou até esta segunda-feira 350 casos de infeção e nove mortes pela COVID-19. Cerca de 1,8 mil pessoas estão internadas em hospitais, e 18.434 estão isoladas em casa.

O país fechou as fronteiras aéreas e marítimas ao transporte de passageiros, exceto em casos excepcionais. Também foram suspensas aulas em escolas e universidades, assim como eventos públicos.