EFEKiev

Na Ucrânia as eleições incluem sempre um toque de cor, pelo menos em tempos recentes. O comediante Vladimir Zelenski ganhou as presidenciais e nas legislativas de domingo os ucranianos podem escolher uma estrela do rock, um compadre de Putin ou, inclusivamente, Darth Vader.

Darth Viktorovich Vader, oriundo de Kiev e residente em Odesa, no sudoeste do país, é o líder do "Bloco Darth Vader". Dele só se sabe que nasceu em 1987, que é diretor de uma empresa chamada "O lado escuro da força" e que tem estudos superiores.

Agora, a Comissão Eleitoral Central mostrou-lhe a cara: no registo oficial dos candidatos está ao lado dos seus dados básicos uma fotografia de um homem loiro com olhos azuis.

Não é a primeira vez que a personagem de "Star Wars" está na cédula de umas eleições ucranianas: 44 "Darth Vaders", acompanhados de um mestre Yoda, concorreram às eleições locais de Odesa em 2015.

Nas parlamentares de um ano antes candidataram-se "Amidala" ou "Chewbacca", em referência à rainha Padme Amidala e ao cabeludo e inseparável companheiro de aventuras de Han Solo na saga "Star Wars".

A tentativa dos "Darth Vader" de registar uma candidatura às eleições presidenciais de 2014 fracassou, mas conseguiram concorrer às legislativas desse mesmo ano como "Partido Ucraniano da Internet", nas quais conseguiram apenas 0,36% dos votos.

Entre as propostas do "Bloco Darth Vader" estão cursos de informática e de idiomas gratuitos, uma redução drástica dos impostos para atrair investimento estrangeiro ou a criação de um parlamento digital, gerido exclusivamente por computadores.

Darth Viktorovich Vader compartilha espaço com outros candidatos que animam a campanha eleitoral, como uma estrela de rock, os chamados "clones", o ex-presidente da Geórgia ou um estreito amigo de Putin.

Todos esperam arrancar votos ao partido de Zelenski, "O Servidor do Povo", nome da série de ficção na qual o atual presidente interpretava um professor que chegava à Presidência da Ucrânia.

A Plataforma Opositora liderada pelo pró-Rússia Yuri Boiko, que as sondagens dão como o segundo partido mais votado nas eleições, tem como número três da sua lista o empresário e político Viktor Medvedchuk. Uma das suas filhas é afilhada de Putin.

O Solidariedade Europeia, do ex-presidente Petro Poroshenko e Batkivschina, da ex-primeira-ministra Yulia Timoshenko também irão entrar no Parlamento, mas a surpresa nesta ocasião pode vir com o partido Gols (Voz) de Sviatoslav Vakarchuk, líder da banda de rock Okean Elzy e um dos artistas mais acarinhados do país.

Caso superasse o umbral de 5% dos votos requeridos para entrar na Rada Suprema, outra estrela no mundo artístico do país vai subir ao palco da política ucraniana.

Outro candidato que espera surpreender nas eleições é o ex-presidente da Geórgia entre 2004 e 2008 e líder do Movimento de Novas Forças, Mikhail Saakashvili, foragido da justiça do seu país após ter sido condenado à revelia em 2018 a três anos de prisão por abuso de poder.

O predecessor de Zelenski concedeu-lhe a nacionalidade ucraniana, feito que lhe permitiu ser o governador da região de Odessa, mas deixou o cargo devido à "corrupção rampante" dos políticos ucranianos e, entre acusações de traição, Poroshenko retirou-lhe a cidadania por uma suposta tentativa de derrocada do Governo.

Só pôde regressar à Ucrânia com Zelenski no poder.

Nestas eleições repetem também os "clones", candidatos com nomes muito parecidos ou idênticos com a finalidade de confundir os eleitores.

Estão nos registos, por exemplo, dois Timoshenko, a ex-primeira-ministra Yulia Vladimirovna e Yuri Vladimirovich, cuja iniciais são idênticas.

Nas presidenciais de março deste ano, a ex-chefe de Governo já denunciou este específico rival como um "clone" promovido pelos seus rivais para lhe tirar votos.

Nadjejda Vicente e Àlex Bustos