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Mais água e menos refrigerantes. É a mensagem a favor de um estilo de vida saudável que está a marcar o Europeu fora dos campos, com o italiano Manuel Locatelli a juntar-se esta quarta-feira ao português Cristiano Ronaldo e ao francês Paul Pogba, que tiraram das mesas das suas conferências de imprensas os refrigerantes e as cervejas que o patrocinam para as substituir com água.

Gestos que abrem um amplo leque de possíveis interpretações e consequências ao nível social, económico e também legal. Os direitos de imagem dos futebolistas, que podem preferir não aparecer ao lado de algumas marcas, mas também as obrigações incluídas nos contratos milionários que estas empresas pagam para ter visibilidade, destaca numa entrevista com a EFE o advogado especialista em direito desportivo Angelo Cascella.

"Entram em jogo os patrocinadores, a UEFA e as federações nacionais. Tudo depende do que estiver previsto no contrato assinado entre patrocinadores e UEFA, cujas obrigações se poderão estender às seleções", afirmou Cascella.

"Não convém a ninguém abrir processos, em particular contra jogadores de tão alto nível, mas não me surpreenderia que houvesse algumas queixas devido aos altos interesses económicos à volta do Europeu", acrescentou.

Tudo começou na segunda-feira com o português Cristiano Ronaldo, que tirou duas gasosas da mesa da conferência de imprensa de antevisão do Hungria-Portugal, substituindo-as por uma garrafa de água.

"Água!", disse Cristiano, que não quis aparecer ao lado de umas garrafas de Coca-Cola na véspera da sua estreia no Europeu, no qual iria bisar e tornar-se no melhor marcador da história desta competição.

Pogba juntou-se no dia seguinte. O jogador foi eleito o melhor em campo do França-Alemanha, que acabou com uma vitória francesa por 1-0, protagonizando jogadas espetaculares, entre elas um passe com o exterior da perna direita que acabou no autogolo de Mats Hummels.

Ao sentar-se na conferência de imprensa, Pogba viu uma garrafa de cerveja e colocou-a debaixo da mesa. O francês também não quis que a sua imagem aparecesse ligada a de uma bebida alcoólica.

Pequenos gestos que trazem grandes consequências e que abriram o debate: Os jogadores têm direito a esconder produtos de companhias que assinaram contratos de patrocínio milionários com a UEFA? Quanto ganhariam estes futebolistas se estas companhias não investissem tanto no futebol? O último a juntar-se a esta dinâmica foi Manuel Locatelli, o grande protagonista do triunfo de Itália contra a Suíça ao bisar na partida.

Eleito como o melhor jogador do encontro, Locatelli brincou ao chegar à sala de imprensa, pegando em duas garrafas de Coca-Colas e movê-las uns trinta centímetros para deixar no centro uma garrafa de água.

Uma nova mensagem a favor de um estilo de vida saudável que se está a tornar numa grande protagonista deste Europeu, ao lado do futebol de bom nível visto até agora nos terrenos de jogo dos doze países que acolhem o torneio.

Por Andrea Montolivo