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A cantora portuguesa Dulce Pontes entrou na Sociedade Geral de Autores e Editores de Espanha (SGAE), à qual confia os seus direitos de representação do reportório em todo o mundo numa união "muito natural e positiva", com a qual a vocalista se encontra "em família".

"Madrid é a capital na qual atuei mais vezes em toda a minha vida, e tenho com Espanha uma relação muito privilegiada, além de um grande estima recíproco com o seu público", indicou a artista, que atua este sábado na cidade espanhola de Palma de Maiorca.

A artista portuguesa salientou a sua alegria por esta "colaboração tão positiva" com a SGAE e a importância da música em tempos de pandemia.

Dulce José da Silva Pontes (Montijo, Portugal, 1969) alcançou a fama no início dos anos noventa ao representar Portugal na Eurovisão, tornando-se depois numa artista de renome com o seu segundo trabalho, "Lágrimas". Um álbum que proclamou a portuguesa como nova fadista da sua geração, além de uma referência na fusão e renovação deste género musical, incluindo ritmos de diferentes origens.

Uma carreira de projeção internacional que levou a artista, uma irreverente fadista fora da norma, a atuar em cima de palcos emblemáticos como o Royal Albert Hall de Londres ou o Carnegie Hall de Nova Iorque, além de colaborar com grandes artistas como Ennio Morricone, com quem gravou o álbum "Focus" em 2003.

"A minha missão no mundo é a música, e cantar é a minha forma de respirar, preciso de estar próxima das pessoas e cantar para elas, sinto que me ajudo a mim mesma e também aos outros", explicou acerca da sua atuação de sábado em tempos de pandemia, onde se poderá ouvir misturas "do folclore português com ritmos cubanos" e alguns dos seus principais temas, pois ressaltou que irá cantar "o que o público pedir".

Apesar dos mais de trinta anos nos palcos, Dulce Pontes afirmou manter o seu ímpeto e emoção nos concertos, uma sensação que agora, devido à crise sanitária, só aumentou: "cada vez que canto é como se fosse a última, e isso agora ganhou mais sentido do que nunca".

Sobre a etapa de confinamento, a artista recordou ter vivido "dia a dia", mas reconheceu que no início não compôs qualquer tema: "em março não me apeteceu compor, com tudo o que estava a acontecer, depois, e a pouco a pouco, comecei a fazê-lo", explicou Dulce Pontes, para quem a música tem um papel fundamental em tempos difíceis: "a arte é a expressão máxima da comunicação porque vai diretamente à emoção".

"A música ajuda-nos muito, e não falo só da minha", disse Pontes, que confessou que durante a quarentena a música teve um papel importante no seu dia a dia, apontando Debussy como um dos compositores que mais ouviu naquele período.