EFE

Lisboa

Enquanto no Altice Arena de Lisboa delegações de cerca de 150 países debatem alternativas para travar a deterioração dos mares na II Conferência dos Oceanos, nas suas portas, ativistas ambientais avisam: "Enquanto o mar morre, nós também morremos".

A sociedade civil não é alheia à conferência das Nações Unidas. Centenas de ativistas participam em debates e mobilizações em diferentes atividades previstas durante esta semana e em atos para chamar a atenção de políticos e empresas sobre o estado dos mares.

Os membros da organização Ocean Rebellion madrugaram esta segunda-feira e ao começo da manhã apresentaram perro do rio Tejo uma performance com sereias com caudas e coroas feitas de lixo capturado em redes de pesca industrial.

"O arraste de fundo está-nos a matar" e "Enquanto o mar morre, nós também morremos", denunciavam os ativistas nos seus cartazes.

Horas mais tarde, frente às portas da sede da conferência, o grupo criticou o impacto da sobrepesca com três dos seus membros vestidos de negro, tapados com cabeças de pescado e com restos de peixes nas mãos.

"Queremos que as Nações Unidas parem a sobrepesca. Estão a tirar demasiado dos mares. Desde que nasci, 15% da biodiversidade marinha desapareceu, de modo que a sobrepesca precisa de parar agora (...) e estas pessoas têm o poder para o fazer", explicou Sophie Miller, porta-voz do grupo, à Agência EFE.

NA RUA, MAIS UM DIA

Cerca de 7.000 pessoas participam nesta conferência das Nações Unidas, que se realiza no Altice Arena, local habitual de grandes concertos e eventos em Lisboa e que desde segunda está protegido com um dispositivo de segurança de 1.650 agentes.

Para além do transtorno habitual de trânsito, no Parque das Nações, onde se encontra a Altice Arena, os moradores mal se apercebem da conferência.

Mafalda Cabral, natural de Cabo Verde e residente nos subúrbios da cidade, ficou curiosa e quis saber o que se passava no Altice.

"Sem água não há vida", resumia depois de saber qual era o tema da reunião. "As espécies do mar vão desaparecer pouco a pouco. Claro que se estão a fazer muitas coisas, mas faltam mais".

"Tenho filhos, tenho netas, tenho conhecidos, e não quero que sofram", resumiu Mafalda.

"Acho que há um congresso oceanográfico sobre o clima", comentava Tatiana, recém chegada de Roma com mala nas mãos e disposta a pedir aos políticos "menos palavras e mais feitos".

Enquanto isso, no interior, os delegados de menor nível e os jornalistas aproveitam os descansos do plenário para comer em alguns dos balcões de comida rápida instalados dentro do recinto da conferência.

Não há muitas opções, hamburgers, cachorros quentes e uma proposta vegetariana. Para os mais gulosos, gofres e até churros.

A Conferência realiza-se até 1 de julho e vai analisar como preservar os oceanos e sua relação com o clima.

Por Brian Bujalance