EFEAncara

O presidente da Turquia, Recep Tayyp Erdogan, acusou esta terça-feira o general rebelde líbio Jalifa Hafter de querer perpetrar uma "limpeza étnica" e advertiu que, se continuar os seus ataques, a Turquia não vai hesitar em "dar-lhe a lição que merece".

"Há irmãos árabes que não estão com Hafter, e Hafter quer eliminá-los. Hafter procura uma limpeza étnica", denunciou hoje o líder islamita turco, que disse que o general líbio mostrou "a sua verdadeira cara" ao deixar as conversações de paz realizadas ontem em Moscovo sem assinar o acordo de cessar-fogo permanente.

Durante uma reunião do seu partido, o islamista AKP, Erdogan disse que na Líbia ainda vivem um milhão de líbios de ascendência turca da época em que o país pertencia ao Império Otomano (até 1912), e que Hafter também pretende eliminá-los.

"Não podemos virar as costas aos nossos irmãos líbios que querem a nossa ajuda", disse o presidente, que ressaltou que a Turquia vai manter a sua presença no país até "dar a liberdade aos líbios".

"Se Hafter continuar com os seus ataques, não recuaremos em dar-lhe a lição que merece", ameaçou Erdogan.

A Turquia enviou um pequeno número de conselheiros militares em apoio do Governo de Tripoli, reconhecido pela ONU, em oposição às forças de Hafter, que controlam uma grande parte do país e os seus recursos petrolíferos.

Além disso, segundo vários meios de comunicação turcos, Ancara recrutou combatentes de várias milícias sírias para levá-los para a Líbia.

Erdogan, que descreveu o general várias vezes como um "golpista", assegurou que este mostrou a sua "verdadeira cara" ao sair da ronda de negociações de ontem sem ter assinado o cessar-fogo permanente, algo feito por Fayez al Serraj, líder do governo reconhecido pela ONU.

Esta negociação foi promovida pela Turquia e pela Rússia, que apoia Hafter, após os dois países terem proposto na semana passada um cessar-fogo que se encontra em vigor, embora frágil, desde o dia 12.

No entanto, Erdogan deu como certo que a conferência internacional patrocinada pela ONU para encontrar uma saída para a guerra civil na Líbia será realizada em Berlim no dia 19 de janeiro.