EFE

Coria del Río (Espanha)

"Nem paramos para dormir". Resume assim Alba Aparicio, a porta-voz da empresa Hielos Estrella, o stress que as fábricas de gelo espanholas enfrentam este verão, especialmente quente, para tentar abastecer todos os clientes a tempo, já que têm problemas para responder aos pedidos.

As causas são muitas, mas as principais culpas são o pouco armazenamento de cubos que o setor fez na última primavera, o aumento de todos os custos de produção ou um verão antecipado e com muito calor.

Com esta situação, em maio, quando as temperaturas já foram inusitadamente elevadas, "as pessoas saíram à rua com muita vontade, depois do que passamos", comenta Aparicio em alusão à pandemia.

O setor calcula que se produzem em Espanha cerca de dois milhões de quilos de cubos de gelo por dia e, com o armazenado, se pode cobrir a procura de quatro milhões diários, mas os pedidos dispararam até ao dobro, e as fábricas entram numa situação de colapso.

Especialmente este ano, com várias ondas de calor praticamente consecutivas desde junho e temperaturas à volta dos 40 graus diurnos, ou até mais em algumas partes do país, e em plena época turística alta, quando a hotelaria e restauração trabalha sem descanso.

O diretor-geral da Procubitos Europe, Fernando Plazas, o maior produtor de cubos de gelo de Espanha (22% nacional), considera que o pior ainda está para vir e que "a próxima semana vai ser criminosa" quanto à falta de produto. Os estabelecimentos comerciais de venda ao público limitaram o número de sacos de gelo que podem ser vendidos a cada cliente.

"Há gelo, mas menos do que o mercado precisa", segundo Plazas, que constata que "quase ninguém antecipou este aumento da procura".

SEM PRECEDENTES

É uma situação que Alba Aparicio garante não ter sido vivida nos 22 anos de existência da sua empresa, localizada em Aljarafe de Coria del Río, na província de Sevilha (sul), uma das mais quentes de Espanha. As suas instalações conseguem produzir num dia normal de agosto cerca de 90 toneladas de cubos de gelo.

A fábrica não para, em turnos de 24 horas "de segunda a segunda", porque "a onda de calor não está a desaparecer, a procura de gelo chegou muito cedo, e as pessoas têm uma grande vontade de lazer".

Tudo isto colidiu com "o aumento da eletricidade e do plástico para sacos", explica Aparicio, "porque todas as matérias-primas estão pelos céus".

Considera que "é evidente que algo falhou", embora argumente que o armazenamento não é a solução. "Se está armazenado, vende-se, mas para o encher tem que se ter uma produção bastante elevada", e isto tem sido muito difícil de prever face a um verão em que não se sabia "como estaria a pandemia, como chegariam os meses quentes".

Tal provoca situações em que se um camião estiver cheio e não houver gelo nas câmaras, são necessárias pelo menos sete horas para que as gotas de água se transformem novamente em cubos de gelo.

A fábrica funciona normalmente num único turno de oito horas de meados de setembro a junho seguinte, mas este ano iniciaram a produção contínua no final de abril; outubro muito provavelmente verá a empresa a trabalhar sem parar para chegar a todos os clientes.

Esta fábrica conseguiu satisfazer todos os clientes, mas outros têm tido problemas.

Tudo isto num "stress contínuo", com vigilância constante "para que a fábrica não pare por um minuto, que não haja um corte de energia, ou que o frio não caia para que nada se perca enquanto se recupera a temperatura", diz Aparicio.

Por Fermín Cabanillas