EFEBarcelona (Espanha)

A Universidade de Barcelona identificou o novo coronavírus em amostras de águas residuais recolhidas na cidade a 12 de março de 2019, o que significa que o SARS-CoV-2 já estava presente um ano antes da declaração da pandemia, 11 de março de 2020, que marcou o início da crise.

O resultado da investigação mostra que o coronavírus circulava muito antes de ser conhecido, segundo um comunicado emitido pela universidade nesta sexta-feira.

O Governo espanhol declarou o estado de alarme a 14 de março e aprovou medidas severas para restringir a movimentação da população e as atividades sociais e económicas para conter o contágio.

De acordo com o Ministério da Saúde, na quinta-feira foram reportados três óbitos e 157 novos casos de COVID-19. Ao todo, Espanha já registou 28.330 mortes e 247.486 casos.

Os especialistas estudaram semanalmente amostras obtidas de duas estações de tratamento da capital da Catalunha sob a premissa de que há grandes quantidades de genoma de coronavírus em fezes.

"Os níveis do genoma do SARS-CoV-2 coincidiram claramente com a evolução dos casos de COVID-19 na população", explicou o coordenador do trabalho, Albert Bosch.

No entanto, ter identificado a presença do vírus antes dos casos demonstra, segundo os investigadores, que muitos infetados podem ter sido confundidos com doentes de gripe.

"Identificar a propagação do SArS-CoV-2 com um mês de antecedência teria permitido uma resposta melhor à pandemia", declarou Bosch.