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A exposição à poluição do ar urbana pode aumentar o risco de mortalidade a curto prazo, inclusivamente em pequenas concentrações, como confirmou uma análise epidemológica internacional em 652 cidades do mundo publicada esta quinta-feira pela revista New England Journal of Medicine.

A avaliação epidemiológica, a "maior feita até ao momento" sobre os efeitos a curto prazo da poluição do ar, foi realizada pela Escola de Higiene e Medicina Tropical em Londres e pela Universidade de Fudan (China).

No estudo colaboraram investigadores do instituto de Diagnóstico Ambiental e Estudos da Água (Idaea) do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), ambos espanhóis.

Os especialistas reuniram dados de séries temporárias correspondentes a 652 cidades de mais de 20 países, como Espanha, Brasil, Chile, Colômbia, México, Estados Unidos e Canadá.

A análise foi realizada entre os anos 1986 e 2015, através de "métodos estatísticos avançados" que serviram para comparar a mortalidade diária com as concentrações de poluição urbana por partículas de suspensão no ar (PM), emitidas sobretudo pelos tubos de escape dos veículos.

"Um aumento de 10 microgramas por metros cúbicos em partículas inaláveis (PM10) -capazes de penetrar até os pulmões- e finas (PM2.5) -geradas pela combustão e que podem penetrar até a corrente sanguínea- é associado com um aumento na mortalidade de 0,44% e 0,68%", explicou o investigador do CSIC, Aurelio Tobías, que participou no estudo.

Apesar do aumento "parecer pequeno", o coordenador da Rede de Investigação Colaborativa MCC, Antonio Gasparrini, um dos principais autores do artigo, advertiu que "este risco pode levar a um excesso significativo no número de mortes, dada a exposição generalizada e às grandes populações que vivem em zonas urbanas".

O estudo permitiu uma "comparação crítica" do risco para as populações em diferentes regiões, graças à aplicação da mesma metodologia de análise, o que estabeleceu uma "associação positiva" nos 24 países, "independentemente dos níveis de poluição e meio socioeconómico".

Os especialistas não conseguiram "identificar um umbral" perante a exposição-resposta, já que encontraram "aumentos significativos" na mortalidade, "inclusivamente abaixo dos níveis estabelecidos nos guias atuais de qualidade do ar".

"A ausência de um umbral perceptível significa que é provável que ocorra um aumento substancial da mortalidade mesmo com baixa exposição às partículas", ressaltou Gasparrini.