EFEBruxelas

A maioria dos cidadãos da União Europeia (UE) considera que as alterações climáticas são o problema mais grave que o mundo enfrenta, sendo este o maior desafio para os europeus, de acordo com o último inquérito Eurobarómetro publicado esta segunda-feira.

Nove em cada dez europeus pensam que as alterações climáticas são um problema grave (93%) e quase oito em cada dez (78%) dizem que é muito grave.

As alterações climáticas foram também vistas como o desafio mais sério que o mundo enfrenta (18%), seguido pela pobreza, fome e falta de água potável e a propagação de doenças infeciosas (ambos 17%), a situação económica (14%) e a deterioração da natureza (7%).

A consulta pública, cujos resultados foram apresentados esta segunda pela Comissão Europeia (CE), mostra que a maioria dos inquiridos (90%) apoia o objectivo do clube comunitário de minimizar as emissões de gases com efeito de estufa e compensar as restantes emissões para que o território da UE seja climaticamente neutro até 2050.

Além disso, 87% dos inquiridos mostraram-se a favor do aumento da utilização de energia proveniente de fontes renováveis, bem como à melhoria da eficiência energética europeia.

Quando questionados sobre de quem é a responsabilidade do combate às alterações climáticas, os europeus assinalaram os Governos nacionais (63%), as empresas e a indústria (58%) e a UE (57%).

Uma grande maioria dos inquiridos (81%) considerou que a energia limpa devia receber mais apoio público, 75% apoiam que os investimentos na recuperação económica sejam principalmente para a energia verde, e mais de sete em cada dez europeus (74%) indicaram que o custo climático é muito superior ao custo dos investimentos necessários para a transição verde.

O inquérito também revela que a maioria dos europeus (78%) pensa que as medidas de ação climática tornarão as empresas mais competitivas em termos de inovação, enquanto sete em cada dez europeus acreditam que a redução das importações de combustíveis fósseis pode beneficiar a UE desde o ponto de vista económico.

Contudo, as diferenças são notórias entre os Estados-membros: enquanto na Suécia (43%), Dinamarca (35%) e Países Baixos (34%) uma percentagem significativa dos inquiridos classificou as alterações climáticas como o maior problema global, este valor foi muito mais baixo em países como a Bulgária (5%), Roménia e Itália (ambos 7%).

Este valor em Espanha foi de 16%, ligeiramente abaixo da média da UE (18%).

Por sua parte, o vice-presidente da CE e responsável pelo Pacto Verde Europeu, Frans Timmermans, disse que os resultados da sondagem são um "apelo aos políticos e às empresas" e que os europeus esperam que eles "tomem medidas" em relação aos "riscos a longo prazo colocados pela crise climática".

O inquérito Eurobarómetro foi realizado entre 26.669 cidadãos nos 27 Estados-membros da UE entre 15 de março e 14 de abril de 2021.