EFESao Paulo

João Doria, governador de São Paulo, o estado mais populoso e rico do Brasil, criticou esta segunda-feira a "índole autoritária" do presidente Jair Bolsonaro e mandou-o calar depois deste ter dito que são as Forças Armadas que decidem se há uma "democracia ou ditadura" nos países.

"A sua índole autoritária tem o repúdio dos brasileiros de bem, que condenam a sua tentativa de violar a nossa Constituição. Cala-te, Bolsonaro", escreveu no Twitter o governador paulista, um dos principais adversários de Bolsonaro no campo conservador.

Na mensagem, publicada em português e inglês, Doria acrescentou que "Bolsonaro volta a ameaçar a democracia do Brasil" e criticou também "a incompetência generalizada do seu Governo desastroso".

Bolsonaro, um nostálgico da ditadura militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985, afirmou na segunda-feira que quem garante uma democracia ou uma ditadura são as Forças Armadas de um país.

"Quem decide se um povo vai viver na democracia ou na ditadura são as suas Forças Armadas. Não tem ditadura onde as Forças Armadas não apoiam", disse Bolsonaro a um grupo de simpatizantes perto do Palácio da Alvorada, a residência presidencial.

Desde que chegou ao poder, a 1 de janeiro de 2019, Bolsonaro, líder da extrema-direita brasileira, viu a sua governabilidade reduzir-se devido às enormes fricções com o Parlamento e até com o Supremo Tribunal, levando os seus apoiantes mais radicais a exigirem-lhe uma "intervenção militar".

Face a essa situação e à possibilidade de chegar a ser levado a um processo de destituição devido ao seu negacionismo do coronavírus, que deixa já mais de 210.000 mortos no Brasil, Bolsonaro moderou o seu discurso nos últimos meses e aproximou-se dos partidos de centro que controlam o Parlamento.