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O Governo espanhol aprovou hoje a ordem para exumar o ditador Franciso Franco do seu atual lugar de enterro, o monumento do Vale dos Caídos, medida à qual a família ainda se opõe.

Os familiares de Franco terão agora quinze dias para decidir o lugar onde voltarão a sepultar-se os restos mortais, mas não poderá ser na Catedral da Almudena de Madrid devido a motivos de ordem pública e para evitar que receba homenagens.

A decisão, após vários meses de processos administrativos, "vai-nos marcar a todos como espanhóis" para a reconciliação conosco próprios, afirmou a ministra da Justiça, Dolores Delgado, na conferência de imprensa após a reunião semanal do Conselho de Ministros.

Delgado evitou comentar sobre o que poderá acontecer caso os familiares cumprirem com as suas advertências e recorrer ao Supremo Tribunal.

A exumação dos restos mortais de Franco é uma das principais promessas do Governo presidido pelo socialista Pedro Sánchez, que chegou ao poder em junho do ano passado, embora este objetivo tenha encontrado alguns obstáculos administrativos.

Além disso, os netos do ditador colocaram a possibilidade de voltar a enterrá-lo na catedral de Madrid, onde já estão enterrados a filha e o genro de Franco.

"Na catedral da Almudena não pode ser", afirmou taxativamente a ministra da Justiça.

Delgado lembrou que um relatório da delegação do Governo de Madrid recomendou não enterrar Franco nessa catedral (a poucos metros do Palácio Real, em pleno centro de Madrid) por motivos de ordem pública, e também para evitar que estejam num lugar onde possam receber homenagens, em cumprimento da Lei de Memória Histórica.

Franco (1892-1975) foi enterrado após a sua morte na basílica do monumento do Vale dos Caídos, construído a pedido do ditador nas montanhas a uns 55 quilómetros ao norte de Madrid.

Esse monumento abriga os restos mortais de várias dezenas de milhares de falecidos durante a Guerra Civil de 1936-1939 e nos anos posteriores.