EFELos Angeles (EUA)

Grandes realizadores de Hollywood como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Joss Whedon e James Gunn cruzaram opiniões e enfrentaram-se verbalmente sobre o valor artístico e o significado dos filmes de super-heróis.

Gunn, que realizou os filmes da Marvel "Guardians of the Galaxy" (2014) e "Guardians of the Galaxy Vol. 2" (2017), publicou hoje uma mensagem no Instagram respondendo às críticas de Scorsese e Coppola aos bem-sucedidos filmes de super-heróis, atualmente a viver uma época dourada.

"Muitos dos nossos avôs pensavam que todos os filmes de gangsters eram o mesmo e frequentemente chamavam-nos de 'desprezíveis'", disse Gunn, usando o mesmo termo, "desprezível", que Coppola usou recentemente para se referir aos filmes da Marvel.

"Alguns dos nossos bisavôs pensaram o mesmo dos westerns e acreditavam que os filmes de John Ford, Sam Peckinpah e Sergio Leone eram exatamente o mesmo. Lembro-me de um tio-avô a quam estava a elogiar o 'Star Wars' e ele disse-me: 'Vi-o quando se chamava '2001' (por '2001: A Space Odyssey') e, rapaz, era aborrecido!'", contou Gunn.

"Os super-heróis são simplesmente os gangsters, cowboys e aventureiros do espaço de hoje. Alguns filmes de super-heróis são horríveis, alguns são fantásticos", rematou Gunn, atualmente a trabalhar na sequela de "Suicide Squad" (2016).

A controvérsia sobre o subgénero de super-heróis começou com declarações de Martin Scorsese a princípios deste mês, que disse que os bem-sucedidos filmes do universo cinematográfico da Marvel "não são cinema" e sim "parques temáticos".

"Tentei (ver todos os filmes da Marvel), sabes? Mas isso não é cinema", afirmou à revista Empire.

"Honestamente, o mais perto que posso pensar neles, tão bem feitos como estão, com os atores a fazer o melhor que podem sob essas circunstâncias, é nos parques temáticos", acrescentou Scorsese, a ponto de estrear "The Irishman" na Netflix.

Joss Whedon, o criador da série "Buffy the Vampire Slayer" e realizador dos filmes de super-heróis "The Avengers" (2012) e "Avengers: Age of Ultron"(2015), respondeu a Scorsese no Twitter citando uma frase dessa entrevista: "Não é o cinema de seres humanos a tentar expressar experiências emocionais e psicológicas a outros seres humanos".

"O primeiro que penso é em James Gunn e em como o seu coração e os seus instintos estão dentro de 'Guardians of the Galaxy'", comentou Whedon sobre essa frase de Scorsese.

"Tenho o Martin (Scorsese) em reverência e entendo o que diz, mas... bom, há sempre uma razão pela qual 'estou sempre zangado'", disse Whedon, em referência a uma frase de Hulk.

Um dos últimos a referir-se a esta polémica foi Coppola, que recebeu este fim de semana em França o Prémio Lumière pela sua carreira cinematográfica.

"Quando Scorsese diz que os filmes da Marvel não são cinema tem razão porque esperamos aprender algo do cinema, esperamos ganhar algo: de iluminação, de conhecimento, de inspiração", disse o realizador da saga de "The Godfather", segundo o canal France 24.

"Não sei de ninguém que tire algo de ver o mesmo filme várias vezes. O Martin foi amável quando disse que não eram cinema. Não disse que eram desprezíveis, que é simplesmente o que digo que são", acrescentou.