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Grupos cristãos ligados à administração do Presidente dos EUA Donald Trump investiram 270 milhões de dólares (228 milhões de euros) em campanhas contra direitos sociais na Europa e no resto do mundo, revelou esta terça-feira o website britânico openDemocracy.

A publicação assegura que um dos advogados pessoais de Trump, Jay Sekulow, lidera um destes grupos "cristãos de direita", que gastaram mais dinheiro no continente europeu -pelo menos 88 milhões de dólares ou 74 milhões de euros- do que em qualquer outra região fora dos EUA, à frente de África, Ásia e América Latina.

A maioria destes fundos chegou à Europa através do grupo Alliance Defending Freedom (ADF), uma organização "com ligações estreitas à administração Trump através de antigos funcionários", afirma o openDemocracy em comunicado.

O site afirma também que os fundos foram canalizados através do American Center for Law and Justice (ACLJ), cujo principal responsável é Sekulow, que representou Trump na investigação da chamada conspiração russa liderada pelo procurador especial Robert Mueller.

Na Europa, os 28 grupos cristãos investigados pela publicação britânica estiveram envolvidos em pelo menos 50 processos judiciais, incluindo numerosas ocasiões em que atuaram contra "direitos sexuais e reprodutivos" no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH).

Estas organizações têm apoiado restrições sobre "anticontraceptivos, divórcio, aborto, adoção por casais do mesmo sexo e direitos 'trans'" em toda a "Europa, desde Itália à Áustria, Noruega e França", diz a openDemocracy.

Atuaram também nos tribunais polacos para apoiar as restrições ao aborto na Polónia, e apoiaram publicamente a Polónia contra a Comissão Europeia sobre as controversas "zonas livres de LGBT".

"Nenhum dos grupos investigados revela quem são os seus doadores e muito poucos tornam públicos detalhes de como os seus fundos são gastos no estrangeiro", disse o comunicado da publicação britânica.