EFELisboa

Cerca de 10,8 milhões de eleitores estão chamados às urnas no dia 30 para umas eleições legislativas antecipadas que, segundo as sondagens, vão forçar novos pactos de Governo, e apanham o país com máximos de contágios sem precedentes, com mais de um milhão de confinados pela pandemia.

Em jogo estão 230 assentos no Parlamento, e as sondagens dão um empate técnico entre o candidato socialista e primeiro-ministro, António Costa -que partia como favorito-, e do PSD, o conservador Rui Rio.

A chave será o voto dos indecisos e dos confinados.

A seguir, algumas pistas para não se perder no labirinto eleitoral português.

DIVÓRCIO ENTRE A ESQUERDA

Batizada como "geringonça", a aliança entre socialistas, comunistas e Bloco de Esquerda (BE) que levou a Costa ao Governo em 2015 terminou em "divórcio" depois das eleições de 2019 e o PS optou por governar em minoria.

A solo, Costa não conseguiu levar em frente o Orçamento de 2022, essencial para os milionários fundos europeus de recuperação, e marcaram-se eleições antecipadas, uma fórmula utilizada até oito vezes na jovem democracia lusa.

ELEIÇÕES EM NÚMEROS

Mais de 10,8 milhões de eleitores estão chamados às urnas. São portugueses de dentro e fora do território nacional e estrangeiros residentes com estatuto de igualdade política e maiores de 18 anos.

Vão eleger 230 deputados -116 dão maioria absoluta- que por sua vez decidirão quem pode formar Governo.

São cinco os distritos eleitorais decisivos: Lisboa, Porto, Setúbal, Aveiro e Braga.

Mais de 300.000 eleitores registaram-se na modalidade de voto antecipado no passado dia 23, com uma participação próxima a 90%.

SOPA DE LETRAS ELEITORAL

21 forças compõem a sopa de letras destas legislativas, embora só um punhado tenha possibilidades de chegar à Assembleia.

PS: Partido Socialista, candidato António Costa. No poder desde 2015. 108 deputados.

PSD: Partido Social Democrata. Líder da oposição. Candidato Rui Rio. 79 deputados.

PCP: Partido Comunista Português. Desde 2004 liderado por Jerónimo de Sousa, de 74 anos. Apresenta-se na coligação CDU com os Verdes. 12 deputados.

BE: Bloco de Esquerda. Candidata Catarina Martins. 19 deputados.

CDS-PP: Partido Popular. 5 cadeiras.

PAN: Pessoas-Animais-Natureza. 3 deputados.

Com um deputado cada um, Chega e Iniciativa Liberal (IL).

CANDIDATOS

Só dois candidatos têm possibilidades, segundo as sondagens, de formar Governo e chegar a ser primeiro-ministro no modelo republicano semi-presidencialista português: António Costa e Rui Rio.

De acordo com as projeções, um dos destaques destas eleições será a subida de André Ventura, que poderá colocar o partido de extrema-direita Chega como terceira força política com 6% dos votos.

COVID E ABSTENÇÃO

As autoridades estimam que um milhão de pessoas estarão confinadas em Portugal a 30 de janeiro por covid. Poderão romper o isolamento para votar entre as 18.00 e as 19.00 horas, a última faixa horária.

Os especialistas projetam uma abstenção similar às últimas eleições: 51,43% nas legislativas de 2019; 60,7% nas presidenciais de janeiro de 2021, e 46,3% nas municipais do passado setembro.

Os indecisos têm um papel fundamental e representam até 30% dos eleitores, segundo recentes sondagens.

INCERTEZA DEPOIS DO DIA 30

Acabaram-se as maiorias absolutas em Portugal. Se as sondagens acertam, o vencedor está condenado a pactuar.

Costa apostou pela maioria absoluta para o PS e termina por abrir a porta a novos pactos com a esquerda.

Também à direita se apressam possíveis alianças caso as contas penderem para o lado de Rio.

No ar está uma combinação difícil mas já antes testada pela democracia lusa: PS-PSD, o "bloco central".

PROGRAMA

Salário Mínimo: 705 euros. A esquerda pede subidas anuais de 10%. O PSD liga a melhoria a pactos de acordo, inflação e produtividade.

Impostos: A carga fiscal chegou a 34,8% do PIB em 2020. O PSD promete reduzir impostos e baixar o IVA na restauração. Os socialistas apostam por uma carga mais progressiva, benefícios para famílias e incentivos às empresas.

Saúde: A esquerda quer reforçar o modelo público -que convive com um regime de copagamento- e a direita reivindica o protagonismo do privado.

Habitação: A esquerda pede regular preços e ampliar a oferta de habitações sociais. A direita inclina-se pelos incentivos fiscais para compra e arrendamento.

TAP: Bruxelas aprovou um resgate de 3.200 milhões em troca de um ajuste. Os socialistas defendem a operação, a direita fala de privatizar e a esquerda recusa o ajuste.

ECONOMIA

Depois de um desabe de 8,6% em 2020, Portugal fechou 2021 com um crescimento de 4,5% (estimado) e recuperação do emprego -o desemprego ronda os 6%-, mas há preocupação com a inflação, que em dezembro trepou a 2,8%.

O salário mínimo, um dos mais baixos da Europa, está nos 705 euros e a pensão média ronda os 415 euros.

DESAFIOS

O desafio imediato é assegurar a governabilidade com um mapa político fragmentado e depois dos desencontros que levaram à antecipação eleitoral.

No meio da pior vaga de contágios vivida por Portugal, o próximo Executivo terá que reforçar o sistema sanitário, reduzir a desigualdade social e investir no tecido produtivo.