EFETóquio

O governo do Japão aprovou esta terça-feira um plano criado para minimizar as emissões de gases do efeito estufa até 2050, dentro da estratégia para diminuir a crise climática e no marco do Acordo de Paris.

A estratégia adotada pelo governo japonês inclui potencializar as energias solar e eólica, embora também contemple manter o uso de energias fósseis e nuclear, decisões que geraram críticas de organizações ambientalistas por considerar as medidas insuficientes.

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, disse à imprensa após a aprovação da estratégia que as ações contra a mudança climática "não envolvem um custo económico mas representam um caminho de crescimento para o futuro".

"Queremos criar um círculo virtuoso e liderar a mudança de paradigma na política climática do mundo", afirmou o líder conservador japonês.

Tóquio deve enviar esta estratégia às Nações Unidas até ao final de junho, coincidindo com a realização em Osaka, no oeste do Japão, da Cimeira do G20, segundo apontaram fontes do governo à agência japonesa Kyodo.

O Japão e Itália são os únicos países do G7 que não enviaram o plano de ação para diminuir os efeitos da mudança climática à ONU, como foi estabelecido no Acordo Climático de Paris de 2015.

Tal acordo ratificado pela maior parte da comunidade internacional estabelece o objetivo de evitar que o aquecimento global supere os 2 graus Celsius no final deste século relativamente aos níveis pré-industriais, e mencionava que seria desejável que este não superasse 1,5 graus.

O plano de longo prazo do governo japonês contempla aumentar a proporção do "mix energético" correspondente às energias renováveis para entre 22% e 24% até 2030.

As energias fósseis como o petróleo, o gás natural e o carvão vão chegar a 56% do total, enquanto a nuclear irá representar os 20% ou 22% restantes.

A estratégia japonesa também inclui impulsionar o uso do hidrogénio como fonte energética para reduzir "ao mínimo possível" a dependência da energia atómica, no contexto de inquietação pública gerada pelas usinas nucleares no país por causa da catástrofe na central de Fukushima de 2011.

Uma primeira minuta do plano falava sobre se desfazer de todas as centrais termoelétricas de carvão do Japão até 2050, embora esta medida tenha sido desprezada na versão final devido à oposição do setor privado por conta do impacto económico.