EFENova Iorque

O milionário americano Jeffrey Epstein, encontrado morto este sábado numa prisão de Nova Iorque onde aguardava julgamento após ser acusado de manter uma rede de exploração sexual de menores, não foi vigiado a cada 30 minutos como era requerido na noite em que aparentemente cometeu suicídio, segundo o The New York Times.

Segundo o NYT, que ouviu fontes que trabalham na prisão onde Epstein era mantido, dois guardas do Correctional Metropolitan Center, em Manhattan, deveriam verificar a cela do milionário a cada 30 minutos, procedimento que não foi cumprido naquela noite.

Epstein foi encontrado morto na manhã de sábado dentro da cela. Na véspera, centenas de documentos sobre o milionário foram tornados públicos pela Justiça. Os arquivos eram relativos a um outro caso, paralelo à investigação central, sobre uma mulher que tinha sido contratado para "recrutar" potenciais vítimas do esquema de exploração sexual mantido por ele.

O milionário já tinha sido encontrado inconsciente na sua cela no último dia 23 de julho. Os agentes penitenciários encontraram marcas no pescoço de Epstein, e as autoridades locais investigavam o caso como uma tentativa de suicídio.

A falha na vigilância não foi a única cometida pela prisão, segundo o Times. Devido ao incidente anterior e à hipótese de tentativa de suicídio, Epstein também deveria ter um companheiro de cela, mas o detento que compartilhava o espaço com o milionário tinha sido transferido recentemente.

O Departamento de Justiça e o FBI abriram investigações para descobrir o que ocorreu na cela do milionário, enquanto o procurador-geral dos EUA, William Barr, disse que as circunstâncias da morte levantaram "sérias dúvidas que devem ser respondidas".

O Escritório Federal de Prisões, responsável pelo Correctional Metropolitan Center, tem sido alvo de muitas críticas por não manter Epstein num protocolo de vigilância contra suicídio.

Segundo a fonte ouvida pelo Times, quando o órgão decidiu retirar o milionário da supervisão especial, o Departamento de Justiça foi informado que Epstein teria um companheiro de cela e que um guarda verificaria a situação dele a cada 30 minutos, o que aparentemente não aconteceu.

Os investigadores do FBI e do Departamento de Justiça devem focar em descobrir o que aconteceu desde a primeira tentativa de suicídio de Epstein e a sua morte.

O primeiro incidente levou a direção do Correctional Metropolitan Center a colocá-lo numa vigilância especial de 24 horas e a determinar que Epstein passasse por avaliações psiquiátricas diárias. No entanto, seis dias depois, segundo o Times, as autoridades decidiram que isso já não era necessário.

O jornal também afirma que os dois guardas da unidade onde Epstein estava trabalharam além do horário na noite da morte. Para um deles, era o quinto dia consecutivo de horas extras.