EFEVarsóvia

A justiça polaca desestimou um processo contra a campanha de uma organização ultraconservadora que relaciona a homossexualidade com o abuso infantil, uma iniciativa que os tribunais polacos consideram "informativa e educacional".

A campanha, dirigida pela ONG ultraconservadora "Fundacja Pro", percorreu a Polónia com carrinhas com altifalantes e cartazes onde se podia ler: "A pedofilia é 20 vezes mais comum entre os homossexuais. São eles que agora querem ensinar aos seus filhos. Parem-nos!".

Esta ONG cita polémicos relatórios como os elaborados pelos professores americanos Paul Cameron e Mark Regnerus para afirmar que existe uma suposta prevalência de práticas de abuso infantil entre pessoas LGBT.

O processo contra esta campanha foi desestimada hoje por um tribunal de Breslávia (sudeste da Polónia), numa decisão que considera que a iniciativa da "Fundacja Pro" tem "uma dimensão informativa e social", já que ajudou a criar consciência sobre o abuso infantil e "aborda o problema da educação sexual".

O tribunal também considera que "a campanha não adotou críticas agressivas, muito menos slogans que procurassem estigmatizar ou instigar" nenhum grupo.

A "Fundacja Pro" é a mesma organização que anos atrás promoveu uma recolha de assinaturas para ilegalizar o aborto na Polónia, uma iniciativa que derivou numa proposta de lei para limitar o aborto que foi debatida no Parlamento polaco e provocou numerosos protestos de grupos de mulheres.

O grupo LGBTI da Polónia considera que desde a entrada do partido nacionalista-conservador Lei e Justiça ao poder (em 2015 ganhou as suas primeiras eleições gerais e em 2019 revalidou o seu mandato) se vive um aumento da homofobia neste país de forte tradição católica.

No ano passado, trinta localidades polacas declararam-se "território livre da ideologia LGBTI", enquanto o partido na liderança assinala esta ideologia como uma "ameaça" contra a pátria.