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Os gigantescos protestos de jovens de todo o mundo nos últimos meses sob a alçada do movimento Fridays For Future e inspirados pelo exemplo da ativista Greta Thunberg tornaram-se numa das grandes alavancas da sociedade em defesa do clima global.

Como parte desta corrente mundial juvenil "in crescendo" que exige maior ambição pelo clima, que está a pressionar mais do que nunca os governos para tomar ações contundentes, esta sexta-feira, nas vésperas da cimeira das alterações climáticas COP25, que se vai realizar em Madrid de 2 a 13 de dezembro, milhares de cidades e localidades do mundo juntam-se a uma nova ação global pelo clima.

Estes protestos estão convocados em pelo menos 1.700 cidades e localidades, segundo a Fridays For Future (FFF), embora no caso concreto de Madrid e Santiago do Chile, cujos governos centrais são co-anfitriões da COP25, as mobilizações pelo clima sejam em ambos casos na sexta-feira, 6 de dezembro. Na capital espanhola pretende-se passar a marca dos 150.000 participantes, segundo os organizadores.

Inspirados pela popular ativista Greta Thunberg, que está a caminho de Espanha, dentro de um longo périplo com transportes sustentáveis, desde o outro lado do mundo, vários movimentos juvenis juntaram-se à luta em defesa do planeta; além da Fridays For Future estão a Aliança pelo Clima, a Aliança pela Emergência Climática e o 2020 Rebelião pelo Clima.

Um dos grupos mais mediáticos na sua beligerância pacífica em defesa do clima é o Extinction Rebellion, com ações nas ultimas semanas de grande impacto social, como cortes de trânsito, prenderem-se a grades com cadeados ou acampamentos em jardins de grandes cidades.

As novas ações convocadas pelos jovens, coincidindo com a COP25 em Madrid, procuram ultrapassar o clamor das realizadas no passado setembro no marco da cimeira de ação climática da ONU em Nova Iorque, quando centenas de milhares de jovens, e não só, saíram às ruas de cidades de todos os continentes para exigir um mundo mais sustentável.

Desde que a ativista sueca Greta Thunberg, de 16 anos, deu início no verão de 2018 a uma campanha de protestos, a cada sexta-feira, frente às portas do parlamento do seu país, milhares de jovens viram-se contagiados pelo seu espírito de desafio, seguindo agora o seu exemplo com ações similares em todo o mundo.

Em Espanha, esta sexta-feira, como tem vindo a ser habitual desde há quase um ano, haverá uma "sentada" frente às portas do Congresso espanhol, enquanto em outras cidades estão a ser organizadas mobilizações pela justiça climática, embora com os olhos postos na que está reservada para sexta-feira, 6 de dezembro.

Nesse dia, duas mobilizações em paralelo, uma em Santiago e a outra em Madrid, mas com "uma voz única", segundo os seus organizadores, vão gritar contra a inação dos governos e reivindicar um compromisso global para enfrentar a emergência climática.

"A falta de vontade das nações de enfrentar a emergência socioecológica só implica maior degradação ambiental, a alarmante perda de biodiversidade, maiores desigualdades, a impossibilidade de reduzir a fome no mundo e melhorar o acesso à água, entre um longo etcétera", asseguram as organizações convocantes num comunicado de imprensa.

"A emergência climática já não é algo aberto a debate. Está aqui, é real e são muitas as vozes diversas necessárias para fazer-lhe frente", acrescentam.

Tudo aponta a que a voz dos jovens terá mais relevância do que nunca na COP25 em Madrid, especialmente após o impacto mediático que suscitaram as intervenções de Greta Thunberg na cimeira de ação climática em Nova Iorque, cujas palavras contra os poluentes e os seus apocalípticos discursos sobre o planeta não deixaram ninguém indiferente.

O impacto que a voz da juventude ganha dentro das negociações da comunidade internacional em defesa do clima ficará em evidência em reuniões na COP25, como a de justiça intergeneracional, que será a protagonista do primeiro dia da conferência, segundo a ministra espanhola para a Transição Ecológica, Teresa Ribera.

O planeta tem que mudar: "O mundo acordou para a emergência climática", segundo reza o novo manifesto dos jovens ativistas ambientais, a sua bandeira para as próximas mobilizações.