EFENações Unidas

Líderes de mais de 60 países, que representam 1,4 mil milhão de pessoas e um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, comprometeram-se esta segunda-feira a tomar, urgentemente, mais medidas para proteger o meio ambiente e conter a rápida perda de biodiversidade e os efeitos da crise climática.

A iniciativa, anunciada num fórum paralelo à Assembleia Geral da ONU, inclui promessas para reduzir todos os tipos de poluição, acabar com descarte de plásticos nos oceanos, punir crimes ambientais de forma mais severa e implementar medidas mais ambiciosas dentro das bases estabelecidas pelo Acordo de Paris sobre o Clima, assinado em 2015.

Entre os signatários deste pacto estão grandes potências económicas, como Reino Unido, Alemanha, França e a própria União Europeia (UE) como um todo, além de países com ecossistemas ameaçados e grandes indústrias de petróleo, como Canadá e Noruega, ou nações asiáticas com grandes populações, como Paquistão e Bangladesh.

O presidente do Governo de Espanha, Pedro Sánchez, e vários líderes latino-americanos, incluindo os presidentes de Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru, também estão entre os que assumiram o compromisso em prol da conservação do planeta.

No entanto, Estados Unidos e China, que são as duas maiores economias do mundo e os países que mais emitem gases que causam o efeito estufa, ficaram de fora.

Outros gigantes, como Brasil, essencial para a proteção da biodiversidade, Rússia e Índia também não quiseram comprometer-se com medidas ambientais.

EMERGÊNCIA GLOBAL

"Estamos num estado de emergência planetária: as crises interdependentes de perda de biodiversidade e degradação de ecossistemas e alterações climáticas -criadas em grande parte pela produção e consumo insustentáveis- exigem ações globais urgentes e imediatas", diz o texto apresentado nesta segunda-feira.

Diante dessa situação, os líderes comprometem-se com um plano de dez pontos que tem como objetivo central colocar a natureza e a biodiversidade no caminho da recuperação até 2030.

Os líderes asseguram no texto que os seus planos de recuperação da pandemia e da crise económica que gerou terão como elementos-chave a "biodiversidade, o clima e o meio ambiente", com uma resposta "verde" e "justa".

Segundo um relatório divulgado este mês pela ONU, a humanidade tem apenas alguns anos para evitar a sexta extinção em massa de espécies que o planeta já sofreu na sua história, desta vez causada pela ação do homem.

O estudo mostrou que apenas sete dos 60 critérios para a proteção da biodiversidade estabelecidos internacionalmente em 2010 foram cumpridos.

PACTO PELA BIODIVERSIDADE

A ONU planeia realizar a próxima Conferência sobre Biodiversidade na China, em 2021, com o objetivo de criar um grande pacto global, no estilo do Acordo de Paris, e esta semana irá tentar promover essa ideia durante uma cimeira virtual que contará com a participação de dezenas de líderes internacionais.

As autoridades que participaram no encontro desta segunda-feira, porém, quiseram ir além, e deixar claro, desde o início, as suas ambições e apoiar a ideia de proteger 30% do planeta até 2030, proposta lançada no ano passado ano por um grupo de países liderados por Costa Rica e França.

"Devemos agir agora. Não podemos hesitar ou adiar porque a perda de biodiversidade está a acontecer agora, e num ritmo assustador", disse o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, durante o evento virtual em que a iniciativa foi lançada e onde anunciou que o seu país vai expandir a demarcação de várias áreas protegidas.

A ministra de Transição Ecológica de Espanha, Teresa Ribera, por sua vez, destacou que o seu país é chave em termos de biodiversidade, tanto pela sua riqueza quanto pela sua vulnerabilidade, e expressou o compromisso de ter 30% da sua superfície terrestre e marinha protegida até 2030.

Já o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, reiterou a necessidade de convencer mais países -especialmente os maiores- a se comprometerem com a causa, e lamentou que o Canadá seja a única nação, entre as que possuem os dez maiores territórios, que participa na iniciativa.

Por Mario Villar