EFECopenhaga

Madrid, Barcelona, Lisboa ou Buenos Aires e outras 31 urbes da rede de cidades C40 comprometeram-se esta sexta-feira a melhorar a qualidade do ar respirado pelos seus habitantes, que em conjunto ultrapassam os 140 milhões.

A lista de cidades inclui, entre outras, Berlim, Copenhaga, Nova Deli, Guadalajara (México), Jakarta, Los Angeles (EUA), Lima, Londres, Medellín (Colômbia), Milão, Quito, Seul, Estocolmo, Sydney, Tóquio e Washington.

Na cimeira de autarcas do C40, que reúne até sábado representantes de 94 metrópoles em Copenhaga, os signatários reconheceram que respirar ar puro é um "direito humano" e comprometeram-se a trabalhar juntos para formar uma "coligação global pelo ar limpo sem precedentes".

A sua iniciativa pede-lhes que apliquem "objetivos ambiciosos de redução da poluição e a iniciar importantes políticas" ao respeito daqui a 2025.

Segundo números da Organização Mundial da Saúde (OMS), nove em cada dez cidadãos de todo o mundo respiram ar de má qualidade diariamente, e anualmente morrem 7 milhões de pessoas pela poluição atmosférica, a maioria pertencente às comunidades mais pobres e vulneráveis.

"Limpemos o nosso ar, protejamos os nossos habitantes. Todos os que dizem que atuar é caro que fiquem a saber que não fazê-lo é mais", indicou em conferência de imprensa o autarca de Los Angeles e atual presidente do C40, Eric Garcetti.

Os signatários, que se comprometeram a publicar os progressos para alcançar os seus objetivos, calculam que poderiam ser evitadas 40.000 mortes por ano com a redução da média anual de concentrações de particulas ao ar livre PM 2,5 (com um tamanho inferior a 2,5 mícrons) aos níveis recomendados pela OMS.

Um estudo difundido pelo C40 estima que se todas as cidades do grupo optassem por um transporte, edifícios e indústrias "limpas", as emissões de gases estufa diminuiria 87%, a concentração de PM 2,5 quase 50%; e impediriam-se mais de 220.000 mortes prematuras anuais.

"Fica bem dizer que as cidades estão a liderar a mudança, mas isso não pode eximir os Estados de responsabilidade. Por trás da emergência climática há uma crise de modelo produtivo e é preciso mudar esse modelo. (...) Não se deve ser hipócrita, é preciso pôr data limite ao diesel", disse a autarca de Barcelona, Ada Colau.

Entre as ferramentas das quais os governos municipais têm à mão para melhorar a qualidade atmosférica, os signatários mencionaram a expansão do transporte com baixas ou zero emissões, promover combustíveis para calefação e fogão mais limpa e incentivar o uso de bicicleta.