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Com empresas funerárias saturadas, Madrid vai utilizar o Palacio de Hielo, um centro comercial com pista de patinagem no gelo, como uma alternativa para armazenar os corpos de algumas pessoas que morreram devido à Covid-19.

Espanha chegou esta segunda-feira às 2.182 mortes pela doença transmitida pelo novo coronavírus. Além disso, 33.089 pessoas foram infetadas, segundo dados do Ministério da Saúde, que mostram que o aumento relatado diariamente está a ser gradualmente atenuado. No entanto, especialistas advertem que ainda não têm a certeza de que a pandemia tenha atingido o seu pico no país.

Madrid é a região de Espanha mais afetada pela Covid-19, com 1.263 mortes, 242 das quais foram registadas entre domingo e segunda-feira, dia em que começou a funcionar um enorme hospital de campanha, cuja capacidade aumentará gradualmente para 5.500 leitos para aliviar a saturação dos restantes centros médicos da capital espanhola.

A decisão de abrigar os corpos no Palacio de Hielo foi apoiada pelo autarca de Madrid, José Luis Martínez-Almeida, que tinha informado recentemente ao Governo nacional que a funerária municipal, que gere 14 cemitérios, não iria recolher os corpos dos mortos por Covid-19 devido à falta de equipamento de proteção individual para os seus trabalhadores.

CADÁVERES NUMA PISTA DE GELO

A pista de gelo que será usada como morgue tem 1.800 metros quadrados. Os corpos serão colocados em caixões fechados e sobre uma superfície "de material polimérico" para evitar o contato direto com o gelo, segundo um relatório da Secretaria de Saúde de Madrid ao qual a Agência Efe teve acesso.

A decisão foi tomada, de acordo com o relatório, "tendo em conta a escassez de recursos para armazenamento de corpos" numa crise que "envolve um número significativo de mortes por dia, que excede os recursos disponíveis".

Os cerca de 200 primeiros pacientes com Covid-19 começaram na segunda a chegar ao hospital de campo construído em apenas 48 horas no centro de eventos na capital espanhola que, em dezembro do ano passado, sediou a Cimeira Mundial do Clima e, recentemente, a Feira Internacional de Turismo (Fitur).

O hospital, construído em parceria entre os governos municipal, regional e nacional, além das Forças Armadas, foi concebido para receber progressivamente um total de 5.500 pessoas.

Para a primeira etapa, provavelmente na próxima semana, é esperado que o hospital atenda 1.300 pacientes, segundo o diretor da unidade temporária, Antonio Zapatero. A meta é receber pacientes com sintomas menos graves de Covid-19.

Zapatero acrescentou que a previsão é de que a capacidade do hospital aumente em cerca de 200 pacientes por dia, dependendo da logística envolvendo recursos humanos e serviços de enfermagem e farmácia.

GOVERNO NÃO QUER TRAVAR ECONOMIA

Depois de tomar no sábado passado a decisão de prolongar o estado de alerta por mais 15 dias, o Governo espanhol reforçou esta segunda-feira aos cidadãos o pedido para que cumpram "à risca" todas as restrições já aprovadas para conter a expansão do coronavírus, como as limitações "drásticas" aos deslocamentos populacionais e à atividade económica.

A vice-presidente de Assuntos Económicos, Nadia Calviño, disse em conferência de imprensa que é "difícil entender" as alegações de fecho total da atividade industrial em Espanha quando a economia já está "muito lenta" e focada em serviços essenciais e na luta contra o coronavírus.

O objetivo do Governo é atingir o pico da infeção nos próximos dias para depois o reduzir.

Para isso é fundamental manter a "unidade de ação" de todo o sistema nacional de saúde, que tem uma "grande capacidade de resposta" a uma situação excecional de emergência sem precedentes, disse o ministro da Saúde, Salvador Illa, em conferência de imprensa.

Para esta semana é "chave" mobilizar o máximo possível as unidades de cuidados intensivos, disse, depois de se conhecer os dados "encorajadores" de segunda-feira de uma redução do número de pacientes que precisam de ser tratados nestas relativamente ao número total de hospitalizações, acrescentou Illa.

Alida Juliani