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Mais de 1,2 milhões de pessoas precisam de atenção médica na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, onde um terço dos 132 centros médicos foram danificados ou fechados devido à violência jihadista, informou esta sexta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Há uma necessidade urgente de garantir o pleno acesso aos serviços de saúde essenciais em todos os distritos acessíveis e de estabelecer mecanismos para o melhorar nos distritos onde é difícil entrar", disse esta sexta em comunicado Joaquim Saweka, representante da OMS em Moçambique.

Depois dos ataques perpetrados pelo grupo jihadista Al Shabab na cidade de Palma (norte) no passado 24 de março, pelo menos 55.824 pessoas viram-se forçadas a deixar as suas casas, 43% das quais são menores, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

A falta de serviços médicos provocou uma situação de emergência a respeito da necessidade de fármacos para tratar o HIV, a malária e a tuberculose entre os deslocados, assim como a provisão de vacinas.

Segundo as autoridades médicas locais e a OMS, embora haja uma tendência decrescente de infeções de cólera na maioria dos distritos de Cabo Delgado, a província ainda está no meio de um surto que resultou em 3.334 novos casos entre janeiro e março de 2021.

Também entre janeiro e março, os casos de malária notificados nesta província do norte registaram um aumento de 30,3% em comparação com o mesmo período do ano passado, de 138.160 em 2020 para 179.967 em 2021.

O grupo jihadista Al Shabab, que não está relacionado com o grupo homónimo na Somália, aterroriza o norte de Moçambique desde 2017 e já causou mais de 2.830 mortes, entre eles mais de 1.400 civis, de acordo com os últimos números do Projeto de Dados de Localização e Eventos de Conflitos Armados (ACLED).

O conflito também levou à deslocação de mais de 700.000 pessoas desde 2017, de acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).