EFEParis

54% das pessoas LGBT sofreram assédio escolar pelo menos uma vez na vida devido à sua orientação sexual ou identidade de género, indica a Unesco a partir de um inquérito realizado a uma amostra de mais de 17.000 crianças e jovens entre os 13 e os 24 anos de idade.

A Unesco, que conduziu este inquérito como parte do seu Relatório Global de Monitorização da Educação (Relatório GEM), afirmou em comunicado divulgado esta segunda-feira que 83% dos estudantes já ouviram pelo menos uma vez comentários negativos em relação aos estudantes LGBT.

A entidade aproveitou a celebração do Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia para divulgar este estudo, realizado em colaboração com a Organização Internacional da Juventude LGBTQI (IGLYO).

Os principais problemas detetados pelos autores do relatório GEM são a falta de visibilidade (58% dos inquiridos nunca informaram um professor sobre o assédio que sofreram), a falta de formação de professores para lidar com estas situações e a ausência de conteúdo sobre as identidades LGTB no currículo.

"A educação é mais do que matemática e palavras", diz Manos Antoninis, diretor do Relatório GEM, no comunicado. "As escolas", acrescenta, "têm de ser inclusivas se quisermos que a sociedade seja inclusiva.

Nos Estados Unidos, 12,5% dos estudantes gays, lésbicas e bissexuais disseram não ter ido à escola pelo menos uma vez nos 30 dias anteriores por se sentirem inseguros lá ou no caminho.

Na Nova Zelândia, os estudantes LGBT têm três vezes mais probabilidades de sofrerem assédio de que os outros colegas, enquanto que no Japão, 68% dos jovens entre os 10-35 anos de idade sofreram violência na escola por causa da sua orientação sexual.

"Estou zangado com o sistema porque todos dizem que podes ser quem quiseres, podes ser livre, podes expressar-te na escola. E depois, se tentamos ser diferentes, obtemos reações negativas", queixou-se um estudante intersexual não binário de 19 anos que participou no inquérito da UNESCO.

O organismo internacional salienta que um ambiente de aprendizagem seguro é crucial para alcançar a inclusão dos jovens LGBT, apelando aos governos para que implementem programas de educação sobre direitos humanos e estudos sociais.