EFEEstrasburgo (França)

A vereadora Marielle Franco, assassinada pela sua luta a favor dos direitos humanos, está entre os três ativistas brasileiros nomeados ao Prémio Sakharov de Liberdade de Consciência 2019 do Parlamento Europeu (PE), ao qual também concorrem este ano o opositor russo Alexei Navalni e o escritor uigur Ilham Tohti.

Os grupos maioritários no plenário comunitário anunciaram esta quinta-feira aos seus candidatos para este prémio, concedido pelo PE desde 1988 em reconhecimento da luta pelos direitos humanos no mundo.

O grupo dos Socialistas e Democratas nomeou o líder histórico dos indígenas da Amazónia brasileira, Raoni Metuktire; a ativista ambiental Claudelice Silva dos Santos e, a título póstumo, Franco, defensora dos direitos humanos assassinada em março de 2018.

"Representam as vozes pelos direitos humanos e a proteção do meio ambiente", ressaltou o grupo social-democrata, cuja vice-presidente a cargo de Exteriores, Kati Piri, indicou que a luta dos ativistas brasileiros "merece ser" destacada.

"Embora os povos indígenas representem menos de 1% da população indígena, um número desproporcional deles está a ser assassinado em conflitos pelo território", denunciou Piri, que criticou o "clima de terror" que, segundo a sua opinião, foi estabelecido pelo presidente brasileiro Jair Bolsonaro desde a sua chegada ao poder.

A nomeação a título póstumo de Marielle Franco é compartilhada pelo grupo dos Verdes no Parlamento Europeu, que a propôs para o Sakharov junto ao deputado Jean Wyllys, principal porta-voz e ativista do movimento homossexual no Congresso do Brasil.

Wyllys, companheiro de partido de Marielle Franco, anunciou em janeiro a sua decisão de renunciar ao seu mandato como deputado para o qual foi reeleito em outubro de 2018 e de permanecer fora do país como medida extrema para garantir a sua vida, devido à multiplicação das ameaças.

Franco, que foi assassinada a tiros junto ao motorista do veículo no qual circulava na noite de 14 de março de 2018, tinha criticado a violência policial como relatora da comissão que averiguava a intervenção militar decretada um mês antes pelo Governo no estado do Rio de Janeiro.

O seu assassinato, no qual se suspeita a participação de grupos paramilitares conhecidos como "milícias", causou uma profunda comoção global e a sua figura tornou-se num ícone da luta pela igualdade, em particular dos direitos das mulheres negras.

"São símbolos da liberdade de expressão e pensamento que o prémio quer fomentar e dedicaram as suas vidas a estas liberdades", expressou o grupo dos Verdes.

O grupo do Partido Popular Europeu nomeou o blogger e dirigente opositor russo Alexei Navalni, conhecido por denunciar a corrupção nas mais altas esferas do poder russo e muito crítico com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

"Não só defende a liberdade de pensamento na Rússia, mas também é uma das poucas vozes que dizem a verdade", afirmou o PPE.

Navalni esteve detido este verão sob a acusação de convocar uma manifestação ilegal para protestar contra a rejeição das autoridades russas a inscrever candidatos não governistas em eleições locais, que se saldou com mais de mil detidos.

Por sua parte, o grupo Renovar Europa propôs o advogado e ativista defensor dos direitos da minoria uigur Ilham Tohti, catedrático universitário condenado na China em 2014 a prisão perpétua por separatismo.

O presidente do grupo liberal no PE, Dacian Ciolos, afirmou que Tohti "encarna o espírito do prémio Sakharov" por ser "uma voz sem medo a lutar pelos direitos humanos e liberdades fundamentais na China".