EFEMoscovo

Os médicos dos principais hospitais da Rússia especializados em covid-19 convidaram esta quarta-feira políticos e personalidades contrárias à vacinação, numa carta aberta, a visitar as unidades de cuidados intensivos (ucis) e morgues do país, cujo nível de mortalidade se aproxima do recorde.

"Conhecemos a vossa posição com respeito à vacinação. Agora estamos bastante ocupados e vocês já imaginam no quê. No entanto, considerando quanta gente vos lê e ouve, vamos descobrir tempo para vos levar pelas 'zonas vermelhas', ucis e morgues dos nossos hospitais", assinalam no texto.

"Depois disso talvez a vossa posição mude e morram menos pessoas. Esperamos por vocês", afirmam na carta.

Entre os antivacinas mencionados na carta aberta estão os deputados Guennadi Ziuganov, secretário-geral do Partido Comunista russo, e Sergei Mironov, do partido Rússia Justa.

Além disso, foram enviadas cópias ao vice-presidente da Duma russa, Piotr Tolstoi; ao deputado Viacheslav Lisakov; ao cantor de folk-rock Yuri Loza; ao líder da banda de rock Alisa, Konstantin Kinchev, e aos atores Maria Shukshina, Egor Beroyev e Oskar Kuchere, entre outros reconhecidos antivacinas.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, valorizou hoje "muito positivamente" a carta aberta dos diretores de hospitais e expressou a sua confiança de que o "prestígio indiscutível" dos seus autores ajude pelo menos alguns dos destinatários a mudar de opinião.

Na sua conferência de imprensa diária por telefone, Peskov admitiu que no país há um setor da população que é contrário à vacina, mas ressaltou que é uma situação que acontece em todos os países, "em uns mais do que outros".

Embora o número de contágios esteja a descer gradualmente, com uma redução no último dia a 33.558 casos, apenas 438 menos que na véspera, o número de mortes foi de 1.240, próximo ao máximo diário absoluto de 1.254.