EFERedação internacional

A pandemia do coronavírus transmissor da Covid-19 levou governos de diversos países a adotarem medidas extraordinárias, algumas mais e outras menos restritivas, para conter ou mitigar os seus efeitos sobre a saúde das pessoas e também sobre a economia mundial.

No dia 23 de janeiro, a China decretou quarentena na cidade de Wuhan, onde a pandemia começou. Poucos dias depois, a mesma ordem passou a valer para toda a província de Hubei, onde a metrópole se encontra. Medidas rigorosas de segurança foram tomadas para profissionais da saúde, exames para deteção da Covid-19 multiplicaram-se, e os dias necessários para o diagnóstico da doença foram reduzidos a metade.

Embora a China esteja a regressar aos poucos à normalidade, Wuhan vai permanecer fechada até 8 de abril, e os cidadãos do restante de Hubei que desejarem viajar terão que provar que estão saudáveis por meio de um serviço disponível numa aplicação de telemóvel.

Já na Coreia do Sul, que não limitou os deslocamentos dos seus cidadãos e chegou a ser o segundo país mais afetado pelo vírus, foi usado um método que muitos especialistas consideram mais eficaz: estabeleceram a partir de 20 de janeiro, dia em que foi relatado o primeiro caso, uma extensa rede de diagnósticos coordenada pelo Ministério da Saúde com o objetivo de detetar o vírus nos seus estágios iniciais de contágio e reduzir a taxa de mortalidade.

Em 10 de março, 202.631 pessoas já tinham sido testadas no país, uma taxa de 3.900 exames por 1 milhão de habitantes, o maior volume até agora no mundo desde o início da epidemia. Mas, para não baixar a guarda diante dos bons resultados, o Governo sul-coreano pediu que nas próximas semanas os cidadãos "mantenham dois metros de distância entre si em locais de trabalho, evitem comer à frente de alguém, evitem espaços comuns, evitem ir trabalhar se apresentarem sintomas e voltem logo para casa depois do trabalho".

A Itália, país da Europa mais afetado pela pandemia, cujos primeiros e mais numerosos casos apareceram nas regiões da Lombardia e Vêneto, no norte, agora segue estratégias semelhantes às da Coreia do Sul, e os seus métodos para enfrentar a pandemia sofreram mudanças e tornaram-se mais restritivos.

Desde 23 de março, por decreto do Governo, todas as atividades produtivas não essenciais no país foram suspensas. Além disso, estão proibidas viagens para outros municípios, são aplicadas multas para quem descumprir as regras, e são realizadas inspeções até com o uso de drones para controlar possíveis deslocamentos dos cidadãos.

Como na Coreia, a Itália agora propõe realizar testes em massa para detetar os infectados, mesmo os com sintomas leves e as pessoas com quem entraram em contato.

Como a Itália e a China, a Espanha -segundo país europeu mais afetado pelo coronavírus- limitou a circulação de pessoas e impôs as restrições mais drásticas de toda a Europa. Segundo o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, estas são essenciais para abrandar a propagação do vírus e evitar o colapso do sistema de saúde.

O estado de alerta decretado a 14 de março pelo Governo espanhol e depois prolongado até 11 de abril restringe a circulação de pessoas em todo o país, exceto por razões excepcionais, e estabelece o fecho de escolas e universidades, além de lojas não essenciais e eventos desportivos e culturais.

"Ficar em casa" é o conselho das autoridades espanholas à população.

A proibição "imediata" de eventos públicos e privados com mais de 50 participantes e o fecho de locais, ou fórmulas para reduzir o tempo de trabalho mantendo as garantias de emprego foram algumas das medidas adotadas na Alemanha contra a Covid-19, assim como no Reino Unido, onde o primeiro-ministro Boris Johnson ordenou o fecho de bares, restaurantes, locais de entretenimento e escolas indefinidamente a partir de 20 de março.

Nos Estados Unidos, onde a pandemia chegou com força, já são mais de 46.000 casos da doença. Alguns estados, incluindo a Califórnia e Nova Iorque, decretaram o confinamento obrigatório de cidadãos em suas casas, o que já afetou cerca de 137 milhões de pessoas desde 23 de março, quase 42% da população do país.