EFELisboa

Melhorar o atendimento e terapias para aumentar a qualidade de vida dos doentes de cancro fora do hospital é um desafio com novas respostas na fronteira entre Portugal e Espanha, onde está em curso um projeto de expansão de serviços para aliviar as dificuldades de pacientes e famílias.

Os psicólogos que vão onde quer que sejam necessários ou a implementação de terapias da fala e fisioterapia são algumas das mudanças vividas no último ano nas regiões portuguesas do Alentejo e Algarve, e na província espanhola de Huelva, todas no sul da Península Ibérica.

Está a ser implementado nestas zonas o programa Movimento Oncológico pela Vida, financiado com 726.853 euros de fundos FEDER através do Programa de Cooperação Transfronteiriça Interreg Espanha-Portugal (POCTEP).

A ideia é melhorar a situação atual e consciencializar sobre a importância da prevenção.

MAIS TERAPIAS E PSICÓLOGO AO DOMICÍLIO

"No que respeita a pacientes e familiares, o que o POCTEP nos proporciona é chegar a muitas mais pessoas, porque em primeiro lugar nos permitiu circular pela província" de Huelva, explicou à Efe Felisa Gimeno, da Associação Espanhola Contra o Cancro (AECC), beneficiária do projeto do lado espanhol.

Gimeno conta que embora a província não seja muito grande, o facto de ter a sua sede na cidade de Huelva significa que "muitas vezes" os pacientes não podiam viajar para obter, por exemplo, cuidados psicológicos.

Agora é o profissional que se desloca onde for necessário, todas as semanas ou quinzenalmente, dependendo do que for necessário, para instalações fornecidas pelas autarquias locais ou à própria casa do paciente "no caso de cuidados paliativos".

Também aprenderam sobre "outras formas de trabalho em Portugal", relacionadas sobretudo com a fisioterapia.

"Estamos a apontar ideias e formas de fazer diferentes", destaca Gimeno, descrevendo esta aprendizagem como "muito enriquecedora".

Do lado português, Jaime Ferreira, da Associação Oncológica do Algarve (AOA), diz que como consequência do projeto conseguiram implementar novas atividades não disponíveis antes na zona, tais como terapia da fala, cuidados de enfermagem para pacientes com cirurgias intestinais ou traqueais, ou fisioterapia especializada.

"Tudo isto na sede, para acrescentar ao apoio psicológico" que já prestavam, explica Ferreira, uma grande mudança em relação às atividades anteriores na AOA: apoio psicológico, iniciativas de angariação de fundos e a venda de próteses a preço de custo.

"A nossa atividade nunca passou tanto pelo apoio direto ao paciente oncológico", resume.

BATALHA SEM TRÉGUA AO CANCRO DA PELE

A estas novidades junta-se um forte reforço em campanhas de prevenção, especialmente sobre o melanoma, um perigo crescente.

"Temos muitos quilómetros de costa, tanto aqui como no Algarve, e a incidência de melanoma está a aumentar. Por isso pensámos que precisávamos de fazer uma grande campanha a este respeito", informa Gimeno.

Ambas associações implantaram "minicaravanas" com informação interativa: em função da cor do cabelo e dos olhos "pode-se ver que tipo de cuidados a pessoa deve ter, quantas horas pode estar ao sol", e depois oferecia-se um protetor solar.

Estes veículos "chamaram muito à atenção" e permitiram dar informação a mais de 8.000 pessoas no ano passado, com a previsão de atender 15.000 nesta época estival, avança Gimeno, que acrescenta que também irão atender ao longo do ano aqueles que trabalham ao sol, como os trabalhadores sazonais nos "campos de morangos de Huelva".

A prevenção também foi trabalhada com escolas, onde foram planeadas palestras por profissionais de ambos os lados mas que, por culpa da covid, tiveram de ser adaptadas ao formato digital sempre que possível e que foram complementadas com vídeos de formação.

"Tem sido um desafio, este ano tudo o que foi feito tem sido um desafio", diz Gimeno.

CONGRESSO PARA PARTILHAR CONHECIMENTO

Outra das vertentes da iniciativa afetada pela covid mas que acabou por ter um chamativo êxito foi um congresso realizado desde Huelva no passado mês de maio em formato digital.

Pacientes, familiares e profissionais "de primeiro nível" participaram num evento que obteve "muitíssima difusão", em palavas de Gimeno: mais de 700 inscritos e até 500.000 visitas ao seu website.

O projeto luso-espanhol será desenvolvido até à próxima primavera, embora ambas partes deixem claro que já estão a trabalhar para consolidar os novos avanços mais além dessa data.

Por Cynthia de Benito

(Esta crónica faz parte da série "Histórias Transfronteiriças de Coesão Europeia", #HistóriasTransfronteiriças, #Crossborder, um projeto da Agência Efe financiado com o apoio da Comissão Europeia. A informação é responsabilidade exclusiva do seu autor. A Comissão não é responsável da utilização que se possa fazer desta)