EFE

Lisboa

A Mercadona vai começar este ano a sua expansão para o centro e sul de Portugal -atualmente tem apenas presença no norte- com o objetivo a longo prazo de abrir um total de 150 lojas em todo o país, que se irão implantando "de forma sustentável".

Planos avançados esta quinta-feira pela diretora de Relações Institucionais da empresa, Inês Santos, durante a visita que o presidente do Governo da Comunidade Valenciana, Ximo Puig, fez ao centro de coinovação que a companhia presidida por Juan Roig tem em Lisboa, acompanhado das empresas que integram esta semana a missão institucional e empresarial desta região espanhola a Portugal.

A Mercadona conta atualmente com um total de 31 supermercados no norte de Portugal, os dois últimos abertos neste 2022, ano em que prevê a inauguração de 10 novos estabelecimentos, assim como o início da construção de um bloco logístico em Santarém, no centro do país.

EXPANSÃO PARA CENTRO E SUL

A Mercadona vai chegar este ano a cinco novo distritos portugueses, entre eles o de Lisboa, onde prevê abrir um supermercado no final do ano em Oeiras.

Além disso, em junho irá abrir um em Braga, e depois irá inaugurar em zonas como Setúbal e Montijo, no sul de Portugal, assim como Santarém, Viseu, Caldas da Rainha ou Santa Maria da Feira.

A previsão da empresa é investir este ano um total de 150 milhões entre os novos supermercados e a construção do bloco logístico, com o qual se pretende garantir o fornecimento a todas as lojas de Portugal.

Santos explicou que a intenção é abrir, a longo prazo, um total de 150 supermercados. Embora a companhia espanhola não tenha um período definido, está a abrir uma média de dez lojas por ano, e o seu objetivo é ir crescendo "de forma sustentável e com calma, porque no final há que ter uma estrutura que acompanhe este crescimento de lojas".

A PAELHA, PRODUTO ESTRELA

A diretora de Relações Institucionais em Portugal explicou que uma das prioridades da Mercadona ao instalar-se neste país foi oferecer produtos locais; no entanto, os portugueses começaram a pedir os produtos da empresa que conheceram nas suas viagens a Espanha.

Assim, decidiram também introduzir "o melhor que se faz na Mercadona" neste país, e entre os produtos mais procurados está a paelha pronta a levar, juntamente com a tortilha de batata, o gaspacho, os churros congelados ou os produtos de perfumaria.

A companhia espanhola vende também em Espanha produtos típicos de Portugal, como os queijos dos Açores, lagartas os pastéis de nata.

CENTRO DE COINOVAÇÃO

O centro de coinovação de Lisboa, inaugurado em setembro de 2021, junta-se a outros dois centros que a Mercadona tem no país, que servem como espaço no qual testar com os clientes os novos produtos que serão colocados no mercado ou decidir os desenhos.

Como exemplo, Santos disse que o atum em Portugal é consumido com um formato de lata diferente, com uma identificação de cor diferente e até outra textura do atum, pequenos detalhes nos quais se deve trabalhar bem para que tenham "uma taxa de sucesso grande" e seja o produto que o consumidor procura.

Segundo os dados oferecidos, a Mercadona criou no ano passado 800 novos empregos em Portugal, onde conta com 2.500 funcionários, e trabalhou com 900 fornecedores, aos quais fez compras no valor de 500 milhões de euros; além disso, doou 1.400 toneladas de alimentos.

A sua contribuição fiscal ao país foi de 62 milhões de euros em 2021, ano em que faturou 415 milhões de euros e investiu 110 milhões, e a sua quota de mercado é de 3%, segundo Santos.

Por sua vez, o presidente valenciano, Ximo Puig, destacou que a presença da Mercadona em Portugal "é o cartão de apresentação mais importante" da Comunidade Valenciana neste país, pois graças à sua implantação "temos a perspetiva de ampliar a nossa presença noutros setores".

Puig destacou que dos 600 milhões do investimento espanhol em Portugal no ano passado, 400 milhões são da Mercadona, cuja implantação "ajuda a visibilizar o empresariado valenciano e o saber fazer da nossa economia", e contribui a que as empresas da região se possam introduzir no país.