EFEBruxelas

Uma "missão de urgência" no Chile impulsionada pelo grupo Esquerda Unitária (GUE/NGL) concluiu que o país sofre "parâmetros de repressão similares aos exercidos durante os três últimos anos da ditadura de Pinochet", informou esta quarta-feira o eurodeputado do Unidas Podemos Miguel Urbán.

Durante a sua visita ao país latino-americano, Urbán redigiu, junto à também eurodeputada do Unidas Podemos Idoia Villanueva, um relatório e uma carta dirigida à Alta Representante da União para Assuntos Exteriores e Política de Segurança, Federica Mogherini.

Nesta missiva pede-se a Mogherini que exija às autoridades chilenas o fim da repressão do protesto social e solicite informação e explicações sobre a atuação das forças armadas e corpos policiais, além de pedir uma manifestação pública da "solidariedade" da UE com o povo chileno.

Também insta à UE a ativar a cláusula de democracia do Acordo de Associação Económica (AAE) que mantém com o Chile, onde se contempla a suspensão do pacto caso um dos países não respeite os direitos humanos ou não se exerça uma "boa gestão".

Urbán e Villanueva pedem, além disso, que o Governo do Chile não presida a COP25, que se realiza este dezembro em Madrid após a decisão de transferir o evento desde Santiago do Chile.

Segundo Villanueva, é importante assinalar que o Chile "é só mais um exemplo dentro de uma tendência global de criminalização dos protestos e perseguição de defensores dos Direitos Humanos", uma problemática que "se está a silenciar".

Para Urbán, este silêncio deve-se a que "Chile tem sido o bom aluno das políticas liberais" e a Europa não quer reconhecer o "esgotamento do neoliberalismo", um "modelo insustentável que gera desigualdade", em palavras do eurodeputado.

Urbán disse, por outra parte, que irá lutar para que o debate que terá lugar esta quarta-feira no Parlamento Europeu inclua uma resolução sobre o Chile.

"A União Europeia não pode olhar para o outro lado", assinalou Urbán, que lamentou que o resto dos grupos europarlamentares "recusem-se condenar a repressão no Chile" e peça um debate sem resolução.

Segundo os dados oficiais das instituições chilenas, mais especificamente os do Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH), num só mês foram detidas 5.629 pessoas e contabilizados 2.009 feridos nos hospitais.