EFEGenebra

As mortes causadas pela covid-19 em 2021 vão ultrapassar o total de óbitos registados pela doença em todo o ano de 2020 dentro de três semanas caso o ritmo atual se mantiver, segundo afirmou esta segunda-feira o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Além disso, o número de contágios relatados desde o início de 2021 já passou o do primeiro ano da pandemia, segundo acrescentou o chefe da OMS.

Tedros também advertiu que, embora tenha havido uma terceira semana consecutiva de casos em declínio, "a situação global é muito frágil e nenhum país pode dizer que é seguro".

AMEAÇA DE VARIANTES

O diretor-geral da OMS lembrou que até agora nenhuma das variantes do coronavírus original afetou as vacinas ou tratamentos utilizados, mas salientou que ninguém pode garantir que vai continuar a ser assim.

"O vírus está em constante mutação e isto pode tornar ineficazes os instrumentos dos quais dispomos. Temos de ser claros que a pandemia não acabou e não vai terminar até que a transmissão esteja sob controlo em todos os países", ressaltou.

DESIGUALDADE DE ACESSO ÀS VACINAS

Tedros disse ainda que o acesso desigual às vacinas ameaça perpetuar a pandemia, uma vez que três em cada quatro doses inoculadas até agora estão concentradas em apenas 10 países.

"Um pequeno número de países que fabricam e compram a maioria das vacinas controla o destino do resto do mundo", observou.

Segundo estimativas da OMS, se a administração de vacinas tivesse sido mais equitativa desde o início, as 1.500 milhões de doses inoculadas até agora teriam protegido todos os trabalhadores da saúde e grupos de risco do planeta.

"Poderíamos estar numa situação muito melhor", afirmou Tedros, ressaltando que os países que começaram a vacinar crianças e pessoas de baixo risco "estão a fazê-lo à custa dos trabalhadores da saúde e das pessoas vulneráveis de outros países".

Na abertura da assembleia da organização, que será realizada até 1 de junho, também foi anunciado que pelo menos 115.000 trabalhadores de saúde morreram devido ao coronavírus.

NOVOS OBJETIVOS

Tedros também comentou que o consórcio Covax, que a OMS e outras organizações estão a utilizar para tentar garantir acesso a vacinas para países com poucos recursos, já distribuiu 72 milhões de doses a 125 países.

"No entanto, essas doses foram apenas suficientes para imunizar cerca de 1% da população desses países", lamentou.

Tendo isto em conta, o diretor-geral da OMS fixou como objetivo na assembleia que, até setembro, pelo menos 10% da população de todos os países do planeta tenha sido vacinada, e que esta percentagem passe a 30% até ao final do ano.

"Isso significa que até setembro precisamos de vacinas para imunizar mais 250 milhões de pessoas em países de rendimentos baixos e médios", destacou.

Para atingir estes objetivos, Tedros apelou aos países desenvolvidos membros da OMS para continuarem a doar doses ao Covax para que nenhuma seja desperdiçada, e também às empresas farmacêuticas para se comprometerem a doar metade da sua produção anual de vacinas a este programa de distribuição solidária.