EFELisboa

Só dois dos nove partidos com representação parlamentar em Portugal apresentam candidatas à liderança do Governo, e a presença de mulheres como cabeças de lista nos diferentes distritos eleitorais é ainda uma matéria pendente nos grupos maioritários.

Catarina Martins, do Bloco de Esquerda (BE), e Inês Sousa Real, do animalista PAN, lideram os seus partidos e competem pela chefia do Governo nas legislativas do dia 30, embora não tenham possibilidade de o conseguir porque os seus partidos são minoritários.

Os dois grandes partidos portugueses, o Partido Socialista e o conservador PSD, liderados respetivamente por António Costa e Rui Rio, colocaram 16 homens e 6 mulheres como cabeças de lista dos diferentes distritos para a ida às urnas do próximo domingo. Em ambos casos, as mulheres representam 27,2% dos números um.

Nas últimas quatro legislaturas, os partidos já tiveram o dever de cumprir com a lei eleitoral paritária, que obriga a que as listas estejam compostas, pelo menos, por 40% de mulheres.

Além disso, não pode haver mais de dois candidatos seguidos do mesmo sexo nas listas.

A quota de 40% é cumprida por todos os partidos; no entanto, só um tem o mesmo número de homens que mulheres como cabeças de lista.

É o Bloco de Esquerda (BE), com 11 cabeças de lista homens e outras tantas mulheres.

A coligação CDU (Partido Comunista e Os Verdes) e o animalista PAN aproximam-se do BE, com 12 homens e 10 mulheres como números um das listas.

O que menos representação outorga às mulheres no topo das listas é o partido de extrema-direita Chega, que em 22 apenas tem duas mulheres como cabeça de lista.

REFERÊNCIAS DA IMIGRAÇÃO

A representação de imigrantes e minorias nas listas é mínima e muito poucos terão possibilidade de conseguir uma cadeira no Parlamento.

Na última legislatura, a principal protagonista neste âmbito foi Joacine Katar Moreira, ativista de origem guineense que entrou no hemiciclo como cabeça de lista do partido Livre, mas que desta vez não se candidata.

O luso-angolano Nuno Carvalho, atual deputado pelo PSD, é um dos poucos representantes da imigração africana procedente das antigas colónias lusas que irá chegar à Assembleia, já que se candidata como número um pelo distrito de Setúbal.

CANDIDATOS VETERANOS

Os jovens -estão quase um milhão no censo eleitoral para estas legislativas- têm um grande protagonismo nesta eleição, mas o seu peso não se reflete nas listas.

Há exceções, como o caso do jovem João Pedro Luís, que aos seus 19 anos encabeça a lista do PSD na localidade alentejana de Portalegre e que se tornou numa figura destacada do partido graças às suas publicações nas redes sociais.

Para ganhar as eleições, socialistas e PSD apostam pela veterania de António Costa (60 anos) e de Rui Rio (64), enquanto a coligação comunista do CDU apostou mais uma vez pela sua principal referência, Jerónimo de Sousa, que no próximo mês de abril fará 75 anos, embora tenha sido substituído na campanha por dois jovens quadros do partido devido a baixa por motivos de saúde.

O mais jovem dos candidatos ao Governo é Francisco Rodrigues dos Santos (CDS, democrata-cristão), com 33 anos, enquanto o líder do Chega, André Ventura, tem 39.

Mais de 10,8 milhões de eleitores estão chamados no domingo a umas renhidas eleições antecipadas a meio da legislatura, às quais PS e PSD chegam com um empate técnico, segundo as últimas sondagens.