EFELisboa

Dedicado a ultrapassar o revés da covid, Portugal avança rumo à normalidade atento à campanha das eleições de dia 26, um teste político pós-pandemia que, segundo as sondagens, vai consolidar a vantagem dos socialistas do primeiro-ministro, António Costa.

Muito mudou no país desde a sua última ida às urnas, as eleições presidenciais de janeiro passado, que deram a segunda vitória ao conservador Marcelo Rebelo de Sousa.

Portugal ainda vivia na altura com o medo da pandemia e estava pendente do fantasma da crise. Hoje, porém, orgulha-se de ser líder mundial no processo de vacinação e recupera o pulso económico.

Tal como os seus vizinhos europeus, Portugal ficou paralisado pela covid-19, que deixou cerca de 18.000 mortos. Agora, o turismo, um dos seus motores, começa a respirar, o investimento estrangeiro volta e o Governo promete uma grande "bazuca" de fundos europeus. Um otimismo -moderado- invade Portugal.

FUNDOS EUROPEUS ENTRAM NA CAMPANHA

No meio da campanha eleitoral, António Costa ressalta o impacto dessa "bazuca" e da transformação em curso após a pandemia. A oposição acusa-o de ter atravessado a linha vermelha entre o seu papel de primeiro-ministro e a sua atividade eleitoral como líder dos socialistas.

O chefe do Governo português faz ouvidos mudos às críticas e é a estrela da campanha do PS (Partido Socialista) sob o lema "garantir o futuro, no caminho certo".

"Espero que o povo português castigue os socialistas e lhes diga que esta não é a forma de ganhar eleições", proclama o líder da oposição conservadora, Rui Rio.

Muito mais duro é André Ventura, de extrema-direita, que chegou ao ponto de descrever as ações de Costa como "vergonhosas" e parece disposto a denunciar os socialistas às autoridades eleitorais.

"Não nos dedicamos a atacar os nossos adversários", responde Costa. "Estamos concentrados no Plano de Recuperação e Resiliência", o ambicioso projeto para reanimar o país com fundos europeus após a pandemia.

UMA OPOSIÇÃO DIVIDIDA

As eleições municipais chegam num bom momento para os socialistas. Os fundos europeus animam a economia, Costa está à frente dos seus rivais na opinião popular, segundo as sondagens, que avançam que o PS irá consolidar a sua maioria nestas eleições.

As últimas sondagens projetam que os socialistas ganharão quase 35% dos votos -a força mais votada-, a esquerda como um todo -PS, Bloco e comunistas- aproxima-se de 50%, e a direita em bloco receberá 40%.

A divisão da oposição facilita uma vantagem antecipada para os socialistas.

Rui Rio, o líder do conservador PSD (Partido Social Democrata), vê a sua liderança ameaçada pela crise interna do seu partido; a esquerda está dividida nas urnas e Ventura, à frente do partido de extrema-direita Chega, procura nas zonas rurais manter o volume de votos que obteve em janeiro como candidato às eleições presidenciais, nas quais conseguiu 12% dos votos, o que o colocou em terceiro lugar entre os candidatos.

LISBOA E PORTO NA MIRA

Pouco mais de 9,3 milhões de portugueses são chamados a eleger 308 presidentes de câmara, vereadores e membros de assembleias municipais. No total são mais de 1.450 candidaturas, e apenas 17% das listas são lideradas por mulheres, na sua maioria em representação de forças de esquerda.

Lisboa e Porto vão atrair a maior parte da atenção mediática do dia, embora as sondagens descartarem surpresas: o socialista Fernando Medina irá manter a capital e o independente Rui Moreira reforçar-se-á na liderança da segunda cidade do país.

Em Lisboa, sete pontos separam Medina do antigo comissário europeu Carlos Moedas, que, de acordo com os analistas locais, não conseguiu ligar-se com as ruas e não irá conseguir dar a volta ao resultado.

No Porto, o escândalo de corrupção que há alguns meses envolveu Moreira não terá custos, segundo as sondagens, que lhe dão mais de 60% dos votos.

Poucas novidades numa campanha que está a entrar na sua reta final sem tensão nem sobressaltos. Embora, como António Costa advertiu hoje, nas eleições "não há derrotas nem vitórias antecipadas".

Por Mar Marín